Queridos irmãos e irmãs, celebramos hoje o 14º Domingo do Tempo Comum. Celebrar a temporalidade comum é celebrar a certeza da presença de Jesus Cristo em nosso meio, em nossa vida e em nossa história. Esse Senhor que não é indiferente a nós, porque nos conhece, sabe das nossas lutas, das nossas dores; e por isso mesmo sempre está prestes a nos providenciar aquilo que nós mais precisamos. Para isso, é necessário que nós, sem medo algum, estejamos abertos a sua graça, e que o único que tenhamos seja: “medo da graça que passa!”, como disse certa vez Santo Agostinho em uma de suas homilias.
Caros irmãos e irmãs, Jesus é fascinante! E porque é fascinante, nunca poderemos perder o fascínio por Ele. Fascínio este que hoje nos serve como exortação e convite: sejamos humildes!
No evangelho deste domingo (Mt 11, 25-30), o Senhor nos convoca a ser humildes, a fim de que adentremos na dinâmica da pequenez, à uma realidade que muitas vezes nós resistimos, pois não queremos ser pequenos e porque temos dentro de nós um desejo exacerbado de grandeza e de autossuficiência. E, sem dúvidas, o antídoto para isso é a humildade!
O evangelista Mateus colocou nos lábios de Jesus uma ação de graças: “Eu te louvo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos” (Mt 11, 25). Certamente, com essas palavras Jesus orou ao Pai. E o detalhe dessa oração nos salta aos olhos quando observamos que o Senhor não agradeceu diretamente ao Pai por ter revelado “as coisas” aos pequeninos, mas antes Ele se congratula porque o Pai escondeu “estas coisas” aos grandes. São João Crisóstomo afirma que “estas coisas” de que fala Jesus nesse Evangelho são os mistérios do Reino. Mistérios que nos convidam a entrar na realidade que é íntima e pessoal de Deus, isto é, ser humilde mesmo sendo tão grande.
Meus irmãos e minhas irmãs, se quisermos contemplar, presenciar “as coisas” do Reino, é preciso que nos façamos pequenos; ou melhor, é necessário que “sejamos” humildes, porque mais do que se fazer é preciso ser. Afinal, diante de Deus a única coisa que nos resta é dizermos, como diz João Batista, voz que clamava no deserto: “Que Ele cresça e eu diminua” (Jo 3, 30).
Na primeira leitura (Zc 9, 9-10) nós encontramos a profecia de Zacarias, que diz: “Exulta, cidade de Sião! Rejubila, cidade de Jerusalém. Eis que vem teu rei ao teu encontro; ele é justo, ele salva; é humilde e vem montado num jumento, um potro, cria de jumenta” (Zc 9, 9). Para a cultura semítica, o jumento é sinônimo de pobreza (pequenez) e do serviço; enquanto o cavalo é sinônimo da riqueza e ostentação. Por isso hoje a figura do Senhor para nós é uma figura pequena, humilde e pacífica, é Ele o príncipe da paz, aquele que antes de nos pedir a humildade, se faz verdadeiramente humilde.
Caríssimos irmãos e irmãs, diversas vezes em nossa vida buscamos muitas coisas, na maioria das vezes corremos atrás de coisas passageiras, coisas desnecessárias. Por exemplo, constantemente procuramos a validação das pessoas; buscamos uma boa imagem, uma boa reputação e satisfações momentâneas. Todos esses anseios são carregados de uma carência “dopaminérgica”. Todavia, nunca devemos nos esquecer do essencial, isto é, sermos aquilo que Deus quer que nós sejamos: humildes e pequenos.
Por meio dessa liturgia, hoje somos convidados a olhar para dentro do nosso coração, fazer um bom exame de consciência e ainda nos perguntar: Como anda minha vida? Como tem sido a minha postura diante de Deus? Será que muitas vezes eu tenho tomado o lugar de Deus, querendo ser maior? Será que o orgulho, a prepotência e arrogância têm fechado o meu coração para Deus?
Caros irmãos e irmãs, o Senhor quer nos fascinar com a sua humildade, para que por meia dela sejamos resgatados. Sem dúvidas, “em nosso coração existe um vazio do tamanho de Deus”, é o que dizia Santo Agostinho. E realmente, não há mais ninguém que possa matar a nossa grandeza e o nosso orgulho do que a “humilde grandeza” de Deus.
Que vivendo segundo o Espírito que mora em nós, como nos narra a segunda leitura (Rm 8, 9.11-13), saibamos confiar e depositar no coração de Deus aquilo que muitas vezes nos pesa. Se são os nossos problemas e as nossas dificuldades, depositemos em seu coração, pois Ele é manso e humilde, e porque Nele nós encontraremos a paz e o descanso. Ele que não nos pede nada, mas antes sempre nos oferece tudo. Por fim, que não tenhamos medo de colaborar com tudo que Deus nos dá, a partir do momento que sejamos verdadeiramente pequenos diante Dele.
Que Deus nos ajude!
(Luís Guilherme Santos Rocha)
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