domingo, 19 de julho de 2026

16º Domingo do Tempo Comum – Ano A

        Caríssimos irmãos e irmãs, celebramos hoje o 16º Domingo do Tempo Comum. Assim como na liturgia dos domingos anteriores, hoje o Mestre Jesus continua os seus discursos em forma de parábola a respeito do Reino de Deus e de seus mistérios tão profundos.

 

No Evangelho (Mt 13, 24-43), o Senhor conta aos seus discípulos as três parábolas tão bem conhecidas, como do joio e do trigo, do grão de mostarda e do fermento na massa. Todavia, gostaria de me ater apenas na parábola do joio e do trigo, e exprimir dela o seu principal significado e os seus importantes sinais, que nos servem para o crescimento espiritual.

 

A parábola do joio e do trigo nos deixa claro que embora o Semeador semeie o trigo em seu campo, o inimigo que não é semeador em sua astúcia consegue semear o joio. Assim sendo, tanto o joio quanto o trigo crescem conjuntamente, e por sinal aos poucos se assemelham um ao outro. Mas, enquanto o joio é vazio por dentro, o trigo é repleto de sementes prontas para serem lançadas sobre a terra.

 

Caros irmãos e irmãs, o crescimento do joio e do trigo ensina que embora sejamos bons, porque o Criador que é bom nos criou para sermos bons, existe dentro de nós a inclinação para o mal, o que chamamos de concupiscência, a qual nos sujeita ao pecado e ao erro; mas que ao ser vencida pela graça nos permite permanecer e experimentar sempre a bondade de Deus. Com isso, tomamos a consciência de que em nós podem crescer tanto o mal como o bem, compete a nós regar o bem ou mal.

 

Muitas são as realidades de maldade em que nos sujeitamos. Muitas vezes agimos mal, fazemos escolhas erradas. Isso tudo é joio, porque é vazio e incapaz de produzir vida. Porém, se optarmos por regar o trigo, encontraremos sementes boas que nos possibilitará produzir coisas boas através do bem.

 

Diante disso devemos nos questionar: O que eu faço de bom? Será que tenho regado dentro de mim mais o trigo do que o joio? Somente um coração sincero e humilde é capaz de buscar por responder essas perguntas.

 

Queridos irmãos e irmãs, hoje o Senhor deseja que optemos por aquilo que é bom, para que o mal seja cortado e lançado fora.  É desse mesmo modo que Deus quer que seja ensinado a todos que o justo seja de fato humano (bom), como nos narra o livro da Sabedoria (12, 13.16-19), na primeira leitura. E sendo Ele o conhecedor de nossas fraquezas, as quais por meio desta liturgia se revestem do joio e do mal, é o Espírito de Deus que constantemente vem em nosso auxílio e em auxílio de nossas fraquezas, como escreve Paulo na segunda leitura deste domingo (Rm 8, 26-27).

 

Caríssimos irmãos e irmãs, Deus não se escandaliza de nós, porque Ele espera verdadeiramente que façamos o bem, que buscamos por fazer a sua vontade, que buscamos acertar em tudo aquilo que fazemos; mesmo que muitas vezes nos percamos ou falhamos. A parábola de hoje nos provoca uma resposta: Seremos bons ou maus?

 

Que possamos hoje optarmos pelo bem, regarmos o trigo, mesmo que o joio cresça junto. Porque vai chegar o momento certo em que o joio será lançado fora, mas o trigo permanecerá, e permanecendo produzirá frutos para a vida eterna.

 

Que Deus nos ajude!

 

(Luís Guilherme Santos da Rocha)


domingo, 12 de julho de 2026

15º Domingo do Tempo Comum – Ano A

        Caríssimos irmãos e irmãs: “O semeador saiu para semear” (Mt 13, 3). É com este versículo do Evangelho deste domingo que iniciamos a décima quinta semana do Tempo Comum. Portanto, hoje, por meio da liturgia dominical, nós somos convidados a compreender que o Senhor, aquele que é o Semeador, saiu para semear em nossos corações a sua Palavra, isto é, as sementes do seu Reino.

 

Na primeira leitura (Is 55, 10-11) a profecia nos é muito clara. O profeta se dirige ao povo dizendo: “Assim como a chuva e a neve descem do céu e para lá não voltam mais, mas vêm irrigar e fecundar a terra, e fazê-la germinar e dar semente, para o plantio e para a alimentação, assim a palavra que sair de minha boca: não voltará para mim vazia; antes, realizará tudo que for de minha vontade e produzirá os efeitos que pretendi, ao enviá-la”. Aqui se encontra tanto a promessa, quanto a afirmação do profeta Isaías, que foi a boca de Deus para o seu povo, e hoje se faz a mesma para nós.

 

Em outras palavras, assim como Deus faz chover e cair a neve na terra a fim de produzir os seus devidos frutos e para fazer com que a semente germine; assim também a Palavra não sairá da boca de Deus sem antes produzir o seu efeito “fecundante”. Por isso, o efeito de Deus lançado sobre nós é único: que o nosso coração se volte totalmente para Ele.

 

Caros irmãos e irmãs, é do desejo de Deus que o terreno do nosso coração esteja preparado para receber a sua semente. Essa semente que tem o poder de nos abrir para a perspectiva de Deus, pois o evangelista Mateus descreve e faz questão de frisar que “o Semeador saiu para semear.” (Mt 13, 3).

 

Na perspectiva da semeadura em Mt 13, nos deparamos com o emprego de dois verbos importantes: “saiu” e “semear”. A primeira atitude do Semeador foi “sair”. Ele sai da sua condição atual e estatística com o intuito de “semear”, ou seja, de lançar na terra dos terrenos as sementes que são propriamente do Reino de Deus. Portanto, aqui vemos a intenção do Semeador.

 

O Semeador não saiu de sua condição apenas para fazer de conta ou ainda para realizar uma ação qualquer, mas antes Ele sai com uma intenção, com o objetivo de lançar as sementes em um terreno capaz de fazer germinar e dar bons frutos. Por essa razão, no Evangelho de Mateus, três são os terrenos que depois nos versículos seguintes são exemplificados e explicados, porém, é no versículo 23, isto é, no último versículo, está escrito: “A semente que caiu em boa terra é aquele que ouve a palavra e a compreende. Esse produz fruto, um dá cem, outro setenta, outro trinta”.

 

Queridos irmãos e irmãs, diante da afirmação do último versículo do Evangelho deste domingo (Mt 13, 1-23), poderíamos perguntar: Por que é preciso que a semente caia em uma boa terra para produzir frutos como cem, setenta, trinta?

 

Deus sabe de qual barro nós fomos formados, Ele sabe que somos povo de cabeça dura, que temos as nossas dificuldades para compreender, para acreditar e perseverar na sua vontade. Por isso, ao longo dessa semana Ele quer lançar a sua Palavra em nosso coração, e Ele sabe que para lançar essa Palavra é preciso que a terra do terreno do nosso coração esteja bem preparada para acolher a sua semente, a fim de que o semear do Senhor não seja em vão.

 

Meus irmãos e minhas irmãs, não sei qual é a realidade da sua vida, não sei como está o terreno e a terra do seu coração, mas hoje o Semeador quer que o nosso coração esteja preparado para receber a sua Palavra, que é viva e eficaz (Hb 4, 12); a mesma que cura, que liberta, que restaura as nossas forças e que nos permite ainda descobrir e redescobrir, o quão necessário for, o sentido da nossa vida.

 

Quando estamos abertos à realidade do Reino de Deus, estamos abertos àquilo que Deus deseja para nós. Que possamos desejar o desejo do Semeador, que por meio da liturgia deste domingo, lança a sua Palavra em nós para que vivamos na dinâmica do Reino. Este que, segundo Edward Schillebeeckx, não pode ser definido e classificado, porque se Jesus definisse o Reino de Deus, este Reino jamais poderia ser vivenciado e experienciado no cotidiano da nossa vida. Portanto, caríssimos irmãos e irmãs, que Deus nos permita que a terra do nosso coração esteja realmente preparada para acolher a sua Palavra, e que esta não volte para Ele sem antes produzir os seus efeitos de salvação.

 

Que Deus nos ajude!

 

(Luís Guilherme Santos da Rocha)

 


sábado, 4 de julho de 2026

14º Domingo do Tempo Comum – Ano A

         Queridos irmãos e irmãs, celebramos hoje o 14º Domingo do Tempo Comum. Celebrar a temporalidade comum é celebrar a certeza da presença de Jesus Cristo em nosso meio, em nossa vida e em nossa história. Esse Senhor que não é indiferente a nós, porque nos conhece, sabe das nossas lutas, das nossas dores; e por isso mesmo sempre está prestes a nos providenciar aquilo que nós mais precisamos. Para isso, é necessário que nós, sem medo algum, estejamos abertos a sua graça, e que o único que tenhamos seja: “medo da graça que passa!”, como disse certa vez Santo Agostinho em uma de suas homilias.

 

Caros irmãos e irmãs, Jesus é fascinante! E porque é fascinante, nunca poderemos perder o fascínio por Ele. Fascínio este que hoje nos serve como exortação e convite: sejamos humildes!

 

No evangelho deste domingo (Mt 11, 25-30), o Senhor nos convoca a ser humildes, a fim de que adentremos na dinâmica da pequenez, à uma realidade que muitas vezes nós resistimos, pois não queremos ser pequenos e porque temos dentro de nós um desejo exacerbado de grandeza e de autossuficiência. E, sem dúvidas, o antídoto para isso é a humildade!

 

O evangelista Mateus colocou nos lábios de Jesus uma ação de graças: “Eu te louvo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos” (Mt 11, 25). Certamente, com essas palavras Jesus orou ao Pai. E o detalhe dessa oração nos salta aos olhos quando observamos que o Senhor não agradeceu diretamente ao Pai por ter revelado “as coisas” aos pequeninos, mas antes Ele se congratula porque o Pai escondeu “estas coisas” aos grandes. São João Crisóstomo afirma que “estas coisas” de que fala Jesus nesse Evangelho são os mistérios do Reino. Mistérios que nos convidam a entrar na realidade que é íntima e pessoal de Deus, isto é, ser humilde mesmo sendo tão grande.

 

Meus irmãos e minhas irmãs, se quisermos contemplar, presenciar “as coisas” do Reino, é preciso que nos façamos pequenos; ou melhor, é necessário que “sejamos” humildes, porque mais do que se fazer é preciso ser. Afinal, diante de Deus a única coisa que nos resta é dizermos, como diz João Batista, voz que clamava no deserto: “Que Ele cresça e eu diminua” (Jo 3, 30).

 

Na primeira leitura (Zc 9, 9-10) nós encontramos a profecia de Zacarias, que diz: “Exulta, cidade de Sião! Rejubila, cidade de Jerusalém. Eis que vem teu rei ao teu encontro; ele é justo, ele salva; é humilde e vem montado num jumento, um potro, cria de jumenta” (Zc 9, 9). Para a cultura semítica, o jumento é sinônimo de pobreza (pequenez) e do serviço; enquanto o cavalo é sinônimo da riqueza e ostentação. Por isso hoje a figura do Senhor para nós é uma figura pequena, humilde e pacífica, é Ele o príncipe da paz, aquele que antes de nos pedir a humildade, se faz verdadeiramente humilde.

 

Caríssimos irmãos e irmãs, diversas vezes em nossa vida buscamos muitas coisas, na maioria das vezes corremos atrás de coisas passageiras, coisas desnecessárias. Por exemplo, constantemente procuramos a validação das pessoas; buscamos uma boa imagem, uma boa reputação e satisfações momentâneas. Todos esses anseios são carregados de uma carência “dopaminérgica”. Todavia, nunca devemos nos esquecer do essencial, isto é, sermos aquilo que Deus quer que nós sejamos: humildes e pequenos.

 

Por meio dessa liturgia, hoje somos convidados a olhar para dentro do nosso coração, fazer um bom exame de consciência e ainda nos perguntar: Como anda minha vida? Como tem sido a minha postura diante de Deus? Será que muitas vezes eu tenho tomado o lugar de Deus, querendo ser maior? Será que o orgulho, a prepotência e arrogância têm fechado o meu coração para Deus?

 

Caros irmãos e irmãs, o Senhor quer nos fascinar com a sua humildade, para que por meia dela sejamos resgatados. Sem dúvidas, “em nosso coração existe um vazio do tamanho de Deus”, é o que dizia Santo Agostinho. E realmente, não há mais ninguém que possa matar a nossa grandeza e o nosso orgulho do que a “humilde grandeza” de Deus.

 

Que vivendo segundo o Espírito que mora em nós, como nos narra a segunda leitura (Rm 8, 9.11-13), saibamos confiar e depositar no coração de Deus aquilo que muitas vezes nos pesa. Se são os nossos problemas e as nossas dificuldades, depositemos em seu coração, pois Ele é manso e humilde, e porque Nele nós encontraremos a paz e o descanso. Ele que não nos pede nada, mas antes sempre nos oferece tudo. Por fim, que não tenhamos medo de colaborar com tudo que Deus nos dá, a partir do momento que sejamos verdadeiramente pequenos diante Dele.

 

Que Deus nos ajude!

 

(Luís Guilherme Santos Rocha)


sábado, 27 de junho de 2026

Solenidade de São Pedro e São Paulo

          Caríssimos irmãos e irmãs, celebramos neste domingo a Solenidade de São Pedro e São Paulo, apóstolos do Senhor e considerados as “colunas” da Igreja Católica. Fazer memória de um apóstolo é pedir o que rezamos na oração da Coleta da Missa do Dia desta Solenidade, isto é, viver de acordo com os ensinamentos daqueles que nos deram os fundamentos da fé, a mesma que recebemos da Igreja no dia do batismo. Portanto, neste dia ao fazermos memória desses dois apóstolos celebramos as maravilhas que o Senhor realizou na vida deles, a ponto de serem para nós exemplo de vida e de fé.


No evangelho deste domingo (Mt 16, 13-19) Jesus após um longo dia de missão, estando com os seus discípulos e como Mestre que era, resolveu questioná-los para ver se tudo aquilo que Ele ensinava e operava diante deles era suficiente para que eles O conhecessem realmente. Como nos narra o evangelista Mateus, Jesus não vai direto ao ponto com a sua pergunta, pois primeiro questiona os seus discípulos sobre o parecer dos homens sobre a sua identidade (v. 13). A resposta dos discípulos foram: “Alguns dizem que é João Batista; outros que é Elias; outros ainda, que é Jeremias ou algum dos profetas” (v. 14).


Caros irmãos e irmãs, diante da primeira pergunta de Jesus poderíamos nos perguntar: – Era necessário que Ele soubesse quem os homens pensavam que Ele realmente era?


Esses homens de quem fala o Mestre Jesus eram aqueles que não estavam em seu convívio diário, aqueles que jamais poderia conhecê-Lo de fato. Nessa passagem do Evangelho, o verbo grego utilizado por Jesus é o εἶναι (einai), cujo significado é “ser”. O uso desse verbo comprova que a intenção de Jesus era saber se os homens seriam capazes de conhecer a sua identidade ontológica, ou seja, o seu próprio ser. Em outras palavras, com o seu primeiro questionamento o Senhor desejou colocar os seus discípulos à prova, a fim de que eles falassem quem Ele era popularmente.


Jesus não se contentou com algumas das respostas que os discípulos lhes deram, por isso de maneira mais enfática e categórica os questionou pessoalmente: “E vós, quem dizeis que eu sou?” (Mt 16, 15). Para essa pergunta o Senhor utilizou o mesmo verbo, o εἶναι “sou”. Porém, por se tratar de identidade, a nossa atenção nesse momento deve se voltar para o pronome pessoal ὑμεῖς (himeis), cuja tradução é “vós”, e para a partícula adversativa grega δὲ (de) que significa “mas”; que na tradução bíblica-litúrgica foi posicionada na conjunção “e”.


Meus irmãos e minhas irmãs, essas definições sintáticas supracitadas nos auxiliam a compreender o sentido do questionamento de Jesus por meio das suas perguntas. O emprego de ὑμεῖς δὲ (himeis de) “mas vós”, nos evidencia que o seu foco não estava no parecer dos homens, e sim na resposta daqueles que estavam com Ele todos os dias e em todos os momentos. Estes sim eram capazes de conhecê-Lo de verdade, mas não ainda um conhecimento ontológico, porque afinal, conhecer estritamente o ser de Jesus é quase impossível, mas por fé na sua Revelação pode-se tocar na sua Pessoa divina.


O Senhor mais do que revelar a sua identidade, possuía a intenção de fazê-los crescer na intimidade com Ele. A resposta de Pedro manifesta a sua intimidade com Deus, pois ele diz: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo”; e Jesus lhe responde: “Feliz és tu, Simão, filho de Jonas, porque não foi um ser humano que te revelou isso, mas o meu Pai que está no céu” (Mt 16, 16-17). Sem sombra de dúvidas, é pela intimidade que se chega à identidade, e esta permite crer de verdade. Pedro não respondeu a Jesus da “boca para fora”, mas com o auxílio de Deus e com o coração de quem crê, por isso que a nossa fé católica se fundamenta exclusivamente na sua resposta.


Irmãos e irmãs, como Jesus se dirigiu aos seus discípulos naquele dia, hoje Ele se dirige a nós e nos indaga: “E vós, quem dizeis que eu sou?” (Mt 16, 15). Diante desta provocativa, qual seria a nossa resposta? Será que teríamos a mesma certeza e convicção de Pedro em dizer que Jesus é o Messias, o Filho de Deus?


Pode parecer fácil afirmar que Jesus é o Messias, porque nos parece ser apenas da “boca para fora”. Todavia, para Pedro assim como para Paulo, a resposta lhes implicara uma vida entregue, a ponto de fim dela se entregarem ao martírio por amor ao Senhor. Talvez, hoje o Senhor não nos pede um martírio como o deles, aquele do derramamento de sangue. Mas, nos pede um melhor testemunho de vida, nos pede uma fé mais madura e consciente como a dos seus apóstolos, cuja Solenidade nós celebramos neste domingo.


Queridos irmãos e irmãs, hoje a Igreja se reveste da cor vermelha, cor que representa o amor que se faz entrega e comunhão. O Senhor conhece as nossas batalhas, as nossas dificuldades e problemas, e por isso nos pede fidelidade e testemunho. Se pararmos para pensar e refletir, o martírio de Pedro foi apenas consequência da fé dele; como nos é narrado na primeira leitura (At 12, 1-11) em que Pedro professa: “Agora sei, de fato, que o Senhor enviou o seu anjo para me libertar do poder de Herodes e de tudo o que o povo judeu esperava!” (v. 11). O Senhor nos envia apóstolos (pessoas) para nos ajudar na caminhada de fé e que nos permite compreender que não estamos sozinhos, jamais!


Por fim, imaginemos a grandiosidade da fé do apóstolo Paulo manifestada na segunda leitura (2 Tm 4,6-8.17-18) que o fez dizer no momento derradeiro de sua vida estas fortes palavras: “Combati o bom combate, completei a corrida, guardei a fé. Agora está reservada para mim a coroa da justiça, que o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia” (vv. 7-8). Sem sombra de dúvidas, essas palavras atestam o seu amor por Jesus Cristo e pelo anúncio do santo Evangelho. Delas aprendemos que o nosso apostolado no mundo, em casa, no trabalho, na escola, na igreja e no lazer, também deve ser por fé e amor. E assim dizermos juntos e em comunhão de fé o que rezaremos na oração Depois da Comunhão na Missa do Dia da Solenidade de hoje: “Refeitos por este sacramento, concedei-nos, Senhor, viver de tal modo na vossa Igreja que, perseverando na fração do pão e no ensinamento dos Apóstolos, enraizados no vosso amor, sejamos um só coração e uma só alma”.

 

Que Deus nos ajude!

 

(Luís Guilherme Santos da Rocha)


sábado, 20 de junho de 2026

12º Domingo do Tempo Comum – Ano A

         Queridos irmãos e irmãs, hoje nós celebramos o 12º Domingo do Tempo Comum. Se no domingo anterior escutávamos no evangelho o chamado dos discípulos, porque Jesus viu que aquelas pessoas estavam como ovelhas sem pastores, na liturgia de hoje o Senhor convoca os seus discípulos a possuírem coragem diante dos desafios e das perseguições, e ao mesmo tempo lhes oferece a sua consolação, pois Ele não se torna distante daqueles que Ele o chama para servir na sua messe eterna.

 

Caros irmãos e irmãs, o encorajamento e a consolação de Deus na liturgia deste Domingo Comum nos convida a refletirmos a respeito do cuidado de Deus para com aqueles que ao serem chamados se empenham na missão, no anúncio e no testemunho do evangelho. Pois aqueles que se dedicam de coração, de corpo e alma enfrentarão dificuldades, provações, perseguições. Jesus no evangelho (Mt 10, 26-33) após lhes afirmar tudo isso, Ele diz: “Não tenhais medo dos homens, pois nada há de encoberto que não seja revelado, e nada há de escondido que não seja conhecido” (v. 26).

 

Ao dizer as palavras acima, o Senhor automaticamente atribui o valor a quem Ele o chama, pois deixa claro que aquele que Ele mesmo o chama vale mais do que os pardais (v. 31). No tempo de Jesus, os pardais eram considerados aves sem valor, quase nunca eram vendidas. Eles eram objetos de troca e em alguns momentos eles eram dados até como um brinde, porque eram animais que não tinham valor algum, sem devida importância, e de fato simbolizavam a simplicidade e a pobreza. No evangelho, quando Jesus realiza essas duas afirmações: “Não tenhais medo! Vós valeis mais do que muitos pardais” e “Nenhum deles cai no chão sem o consentimento do vosso Pai” (Mt 10, 31 e 29), Ele demonstra que Deus está acima de tudo; Ele está no controle de todas as coisas.

 

Na primeira leitura (Jr 20, 10-13), vemos o relato do sentimento angustiante do profeta Jeremias que no seu profetismo temia a perseguição e a morte. Na literatura profética, nós dizemos que todo profeta sabe que vai morrer, porque o profeta sabe que profetizar é um ato de coragem, e ao mesmo tempo, sabe que está sujeito ao risco de ser perseguido e morto por aqueles que não aceitam a profecia. Por isso, todo profeta tem que ter a consciência de que aquilo que ele vai dizer, que ele vai anunciar ou denunciar, uma vez que o profeta, além de anunciar, também denuncia, não é em seu nome próprio, mas é um chamado que lhe faz sair de si e encontrar sentido pelo qual ele foi chamado. Portanto, se todo profeta sabe que vai ser morto é porque antes nasceu para viver em nome de Deus. A prova disto se encontra na passagem de Jr 1, 5, que diz: “Antes mesmo de te formar no ventre materno, eu te conheci; antes que saísses do seio, eu te consagrei. Eu te constituí profeta para as nações”.

 

Meus irmãos e minhas irmãs, ao olharmos para esse cenário do evangelho, para a primeira leitura, ao meditarmos sobre o chamado que Deus faz na nossa vida, mas ao mesmo tempo as recomendações de que para viver esse chamado não é fácil, o Senhor deixa muito claro para nós: se somos chamados, é porque fomos escolhidos e por isso não há como fugir do chamado. Não tem como se esquivar do chamado de Deus e para aquilo que Ele nos chamou a anunciar, profetizar em seu nome.

 

Na segunda leitura (Rm 5, 12-15), o apóstolo Paulo deixa muito claro que o pecado entrou no mundo por um só homem e através do pecado a morte entrou no mundo. Mas, a graça de Deus foi concedida através de um só homem, Jesus Cristo (vv. 12; 15). Nisto consiste a certeza de que em Jesus Cristo nós alcançamos a graça de Deus e a sua reconciliação, a qual fora dita na segunda leitura do Domingo passado. Por essas razões, todo aquele que é chamado a ser profeta, a colaborar com a messe, com o Reino de Deus, é chamado a obedecer e ao mesmo tempo a reconciliar as pessoas com Deus. E não tem preço no mundo que pague essa grandiosidade de reconciliação!

 

Que sejamos homens e mulheres profetas, anunciadores de Deus e do seu Reino. E quiçá, na nossa vida cotidiana, vivendo constantemente na presença de Deus e dos irmãos e irmãs, sejamos também homens e mulheres reconciliadores e promotores de paz e de concórdia.

 

Que Deus nos ajude!

 

(Luís Guilherme Santos da Rocha)


sábado, 13 de junho de 2026

11º Domingo do Tempo Comum – Ano A

         Queridos irmãos e irmãs, celebramos o 11º Domingo do Tempo Comum. A liturgia deste domingo nos convida a refletir sobre a dinâmica do Reino de Deus em nossa vida, já prefigurado no Antigo Testamento como porção escolhida pela primeira leitura (Ex 19, 2-6a).

 

No evangelho (Mt 9, 36-10, 8), Jesus se dirige aos doze discípulos que Ele mesmo escolheu e chamou, dizendo: “O Reino dos Céus está próximo” (Mt 10, 7). De fato, o Reino já se fazia próximo a eles, assim como hoje se faz a nós.

 

Caros irmãos e irmãs, a realidade do Reino é grandiosa, marcante, e acima de tudo, ela se destina aos fortes, ou seja, àqueles que realmente estão dispostos a “dar a cara a bater” por causa de um Bem maior.

 

Dificilmente se poderá definir ou classificar o Reino de Deus. Pelos relatos dos evangelho vemos que Jesus nunca definiu o Reino, porque Ele sabia que se essa realidade, a qual abrange a todos, fosse definida; jamais se poderia viver por ela. E aqui está o ponto fulcral da liturgia deste domingo: para o Reino se deve viver!

 

No relato evangélico de hoje, o Messias não quis promover o Reino para aqueles doze que Ele escolheu, a a fim de eles se empenhasse a viver em vão. Pelo contrário, ao chamá-Los, Ele os convoca a curar os doentes, ressuscitar os mortos, purificar os leprosos, expulsar os demônios (Mt 10, 8).

 

Quem se proporá a fazer isso, se não os fortes e corajosos? Nisto consiste o rigor do chamado, pois muitos são chamados, mas poucos são os escolhidos (Mt 22, 14). E Deus sabe muito bem quem Ele escolhe!

 

Irmãos e irmãs, se essa Palavra nos é dirigida hoje é porque Deus nos escolheu e nos chama a se empenhar pela causa do seu Reino. O seu convite é para sermos homens e mulheres fortes e corajosos. Pois Ele espera e conta apenas com o nosso “sim”.

 

Na nossa vida cotidiana muitos são os doentes, os mortos, os leprosos que estão ao nosso lado esperando que nós sejamos sinais e trabalhadores deste Reino, que não é nosso, mas de Deus. Muitos são os demônios que precisamos expulsar, e aqui não se trata de maus espíritos, mas de realidades difíceis e vazias; basta olharmos atentamente para a vivência daqueles que vivem de acordo com o Mundo. Quantos ainda sofrem e se encontram perdidos.

 

Meus irmãos e minhas irmãs, o Reino inaugurado pelo Messias é para agora, uma vez que inserido nele se recebe a saude, o amor, concórdia, paz e alegria. Este Reino não pode ser definido, porque nele se vive, se empenha, se trabalha e se doa. Assim sendo, hoje nos cabe a decisão: queremos ou não viver e se empenhar pelo Reino de Deus?

 

Na segunda leitura (Rm 5, 6-1) compreendemos que corresponder ao Reino de Deus é antes corresponder para com o amor de Cristo, que morreu por amor a nós. Ele é quem inaugurou o Reino e nos reconciliou com o amor do Pai. Se temos vida é porque a recebemos Dele. E aqui está mais um motivo para nos empenharmos a viver pelo Reino, porque fora dele realmente não há vida!

 

Que Deus nos faça operários para que outras pessoas sintam-se atraídas a viver pelo Reino Celeste!

 

(Luís Guilherme Santos da Rocha)


16º Domingo do Tempo Comum – Ano A

         Caríssimos irmãos e irmãs, celebramos hoje o 16º Domingo do Tempo Comum. Assim como na liturgia dos domingos anteriores, hoje o Mes...