sábado, 25 de abril de 2026

4º Domingo da Páscoa – Ano A

Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância” (Jo 10, 10).

 

Caríssimos irmãos e irmãs, celebramos hoje o 4º Domingo da Páscoa, o Domingo do Bom Pastor. Este dia é cheio de vida e, de certo modo; muito especial para nós, pois celebramos com toda a Igreja a vocação sacerdotal daqueles que um dia foram, e daqueles que ainda serão chamados a exemplo do Bom Pastor, a serem pastores segundo o seu coração. É por isso que o ponto fulcral da liturgia de hoje recebe destaque na figura do Pastor presente no evangelho (Jo 10, 1-10).

 

Neste dia toda a nossa atenção se volta à dinâmica e eficácia do pastoreio de Jesus. É Ele o Pastor que recebe a qualidade de ser Bom, justamente porque pastoreia, cuida e guarda as suas ovelhas junto de si. Essas afirmações nos garantem que Deus se preocupa com cada um de nós; nós somos as suas ovelhas, uma vez que na medida em que vamos adentrando e confiando na dinâmica do Seu pastoreio, vamos encontrando o alívio dos problemas que nos sucumbem, e alcançando a segurança que temos em Sua mão.

 

Caros irmãos e irmãs, se prestarmos a devida atenção no evangelho de hoje identificaremos que Jesus em forma de parábola procura dizer de duas maneiras e/ou em dois momentos que Ele é o Pastor das ovelhas. Na primeira tentativa Ele afirma que o ladrão e o assaltante são aqueles que entram por outro lado do redil, visto que ambos não são pastores, e sim ladrão e assaltante. Ao contrário do pastor, que por ser pastor, entra no redil pela porta certa quando primeiro o porteiro lhe abre, depois e que as ovelhas escutam a sua voz.

 

Observemos que o pastor somente entra no redil, pois o porteiro lhe abre a porta do refil, e porque as ovelhas escutam a sua voz. Nessa passagem as ações implicadas pelos verbos “abrir” e “escutar” são concomitantes. E diante disto, poderemos questionar:

 

– Quem é o porteiro?

 

– Quem são as ovelhas?

 

O porteiro é a nossa própria consciência e o nosso coração. Ambos são chamados a se abrirem ao Pastor que está à porta do nosso redil que representa a nossa própria vida. E as ovelhas somos cada um de nós que seremos pastoreados se respeitarmos os movimentos internos a nós de nos “abrir” e “escutar” a voz do verdadeiro e único Pastor.

 

Mais adiante as ações pertinentes à primeira tentativa de Jesus continuam. De acordo com o texto bíblico-litúrgico, as ovelhas depois de escutarem a voz do Pastor são conduzidas para fora do redil e ao final seguem-No. Isso significa que sair do redil é o mesmo que sair de nossas condições atuais para uma condição que seja de fato boa. E só Deus pode fazer isso por nós!

 

Queridos irmãos e irmãs, no decorrer de nossa vida o Pastor insiste em nos fazer escutá-Lo. Ele faz de tudo para que o escutemos, porque de certo modo, Ele necessita que nós necessitemos Dele. Aqui não se trata de uma necessidade doentia e um tanto carente, como infelizmente muitas pessoas hoje em dia vivem. Porém, uma necessidade benéfica e cheia de amor, pois, afinal, Ele nos conhece muito bem, e por isso espera que nós nos sintamos amados e cuidados por Ele; pois é exatamente isso que um Bom Pastor faz.

 

Muitas vezes somos ovelhas desgarradas, como nos recorda Pedro, em um tom exortativo e pastoral na segunda leitura (1 Pd 2, 20b-25). No entanto, hoje somos interpelados pelo Senhor e Pastor de nossas vidas. Ele espera uma correspondência de nossa parte, a fim de que Ele possa realmente ser o nosso Pastor e o nosso guarda (v. 25).

 

Em um segundo momento Jesus no evangelho ao ver que aqueles que O escutava não estava compreendendo as suas palavras, de modo um tanto apelativo afirma ser Ele mesmo a porta das ovelhas. Por quê? Meus irmãos e minhas irmãs, aqui o salto é bem maior, pois se antes Ele alegou ser o Pastor que entra pela porta do redil que é a nossa vida, agora Ele se declara ser a própria porta que faz as suas ovelhas entrarem.

 

Ao dizer dessa maneira, Jesus se coloca como o único Pastor, pois aqueles que vieram antes Dele eram estranhos e não passavam de ladrões e assaltantes, por isso as ovelhas não lhes escutaram. O resultado de toda a sua afirmação se fundamenta em suas palavras finais: “Eu sou a porta. Quem entrar por mim, será salvo; entrará e sairá e encontrará pastagem” (Jo 10, 9).

 

Queridos irmãos e irmãs, ainda neste tempo propício da Páscoa do Senhor, Ele espera de nós a conversão, como vimos na primeira leitura (At 2, 14a.36-41). Ele aguarda a nossa decisão: que sejamos ovelhas de seu redil. Por isso, hoje o Espírito da Liturgia nos leva a ser confiantes que a luz do Ressuscitado acesa na Vigília Pascal ainda continua a irradiar em nossos corações, a fim de que os nossos ouvidos se abram sempre para escutar a voz do Bom Pastor e a crer que somente Ele tem a abundância da vida a nos oferecer (Jo 10, 10).


Por fim, lembremos de modo efusivo de rezar nesse dia cheio de vida pelos nossos pastores e pelas vocações sacerdotais!

 

Que o Bom Pastor nos guarde hoje e sempre!

 

(Luís Guilherme Santos da Rocha)


sábado, 18 de abril de 2026

3º Domingo da Páscoa – Ano A

“Não estava ardendo o nosso coração quando ele nos falava pelo caminho, e nos explicava as Escrituras?” (Lc 24, 32).

 

Queridos irmãos e irmãs, celebramos o 3º Domingo da Páscoa do Senhor. Portanto, hoje é o dia da Ressurreição, o dia em que o Filho de Deus quer vencer e superar em nós tudo aquilo que é mal e que nos causa dúvida e incredulidade.

 

Na primeira leitura (At 2, 14. 22-33), o apóstolo Pedro ao lado dos onze discípulos levantou a voz à multidão para realizar o querigma (anúncio) de que Jesus Cristo, que por mistério e desígnio do Pai foi morto e ressuscitou. Por isso, desta leitura podemos destacar essa seguinte afirmação: “Mas Deus ressuscitou a Jesus, libertando-o das angústias da morte, porque não era possível que ela o dominasse (v. 24).

 

Foi com o ato de fé que Pedro, o primeiro papa, declarou que jamais seria concebível que a morte dominasse Jesus. Se a morte tivesse esse poder sobre Ele, Ele não seria Deus, e tudo aquilo que Ele havia anunciado de antemão não passaria de uma mentira. E, Pedro acreditava no poder de Deus: a vida eterna!

 

Em decorrência à primeira leitura, na segunda (1 Pd 1, 17-21) deparamos novamente com a figura e presença de Pedro, que confirma o domínio de Cristo sobre a morte, pois assim ele diz: “Por ele é que alcançastes a fé em Deus. Deus o ressuscitou dos mortos e lhe deu a glória, e assim, a vossa fé e esperança estão em Deus” (v. 21).

 

Meus irmãos e minhas irmãs, o motivo pelo qual Pedro e os discípulos anunciavam a Ressurreição de Jesus não era, se não, para levar a fé e a esperança aos corações. A Boa-Nova era tamanha que eles jamais poderiam retê-la para si mesmos. Ao contrário, por ser cativante, ela os fazia anunciadores e testemunhas do poder de Deus.

 

Com a Ressurreição de Jesus Cristo ficou claro que somente Ele é capaz de arrancar o mal que habita em nós pelo pecado que contraímos de Adão, o primeiro homem; é o que o rei Davi canta: “Vede, Senhor, que eu nasci na iniquidade e pecador já minha mãe me concebeu” (Sl 50, 7). Mas, o mais importante é que fomos resgatados pelo precioso sangue de Cristo (1 Pd 1, 19). A nossa maior prova é que Deus em seu Filho nos resgatou e ainda nos continua resgatando todos os dias por intermédio de sua Palavra e de sua presença no Pão partilhado.

 

No evangelho (Lc 24, 13-35) vemos aqueles dois discípulos caminhando tristes e sem esperança alguma na tarde do dia da Ressurreição.

 

A primeira pergunta nos vem: – Por qual motivo eles estavam tristes e sem esperança?

 

A resposta: Porque o Senhor ainda não havia aparecido a eles!

 

 Caros irmãos e irmãs, imaginemos o desespero daqueles dois discípulos por não terem visto Jesus vivo e Ressuscitado. Segundo o contexto e cronologia do evangelho, aqueles dois discípulos, juntamente com Tomé, eram os únicos que não viram o Senhor vivo depois de sua trágica morte. É por isso que a falta de fé deles, até certo ponto, encontra razão, a ponto deles não enxergarem e tampouco reconhecerem o Senhor pelo caminho.

 

O Ressuscitado, aquele mesmo que era o Mestre deles e que a poucos dias atrás lhes ensinava e os cativava, apareceu aos outros discípulos reunidos, mas quis aparecer a estes dois discípulos no caminho até Emaús, porque a revelação de Deus é gradativa, e na sua pedagogia própria Ele aos poucos faz transparecer por meio de sinais a sua presença viva e a sua permanência real com os seus.

 

Chamo-vos a atenção para a aparição de Jesus. Ele não apareceu aos discípulos de Emaús de modo imediato no caminho para Emaús pelo simples fato de que primeiro Ele se revelou pela Palavra: “E, começando por Moisés e passando pelos Profetas, explicava aos discípulos todas as passagens da Escritura que falavam a respeito dele” (v. 27). E posteriormente na fração do Pão. No entanto, o que realça este detalhe não é a mera intuição, mas em primeiro lugar é o pedido que os discípulos fizeram ao Senhor: “Fica conosco, pois já é tarde e a noite vem chegando!” (v. 29), e em segundo, o emprego do verbo “καιομένη” (ardendo) presente no versículo: “Não estava ardendo o nosso coração quando ele nos falava pelo caminho, e nos explicava as Escrituras?” (v. 32).

 

O verbo empregado, por estar gramaticalmente no particípio presente ativo, nos possibilita refletir que tanto as palavras de Jesus a respeito das Escrituras, quanto a sua ação em partir o Pão para eles, foi capaz de fazer com o coração deles ficasse “ardendo”. Essa ação é simultânea e contínua, pois deixa claro que o coração deles realmente estava ardendo e jamais deixaria de arder, pois, afinal, quem faz a experiência com o Ressuscitado jamais permanece o mesmo.

 

Com os olhos abertos e os corações ardendo de fé e amor, os dois discípulos saíram de Emaús para voltar à comunhão com os demais que estavam em Jerusalém. Pois não existe melhor modo do Ressuscitado aparecer aos seus do que em comunidade. O texto bíblico-litúrgico até realça que eles voltaram para contar o que havia acontecido pelo caminho até o ápice da revelação de Cristo na fração do Pão. Mas, o pano de fundo é realmente a comunhão com o Senhor através da comunidade.

 

Na ardência do coração dos discípulos, Cristo os resgatou novamente para si, a fim de que pudessem voltar à comunidade dos discípulos para crer na sua Ressurreição e crer na vida nova por meio Dele. Igualmente, por meio desta liturgia o Senhor quer fazer com que o nosso coração esteja ardendo, desde a proclamação da Palavra até a fração do Pão, pois este é o modo em que Deus resgata aqueles que Ele chama de seus.

 

Que pelo mistério desta liturgia o Senhor nos resgate hoje e sempre!

 

(Luís Guilherme Santos da Rocha)


sábado, 11 de abril de 2026

2º Domingo da Páscoa – Ano A

 “Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom; eterna é a sua misericórdia!” (Sl 117).

 

Caríssimos irmãos e irmãs, neste 2º Domingo da Páscoa celebramos em toda a Igreja, a Festa da Divina Misericórdia. Esta Festa foi instituída pelo Papa São João Paulo II no ano de 2000, com o intuito de revelar ao mundo que o Senhor Ressuscitado apareceu aos seus discípulos para manifestar a sua permanência que se traduz em presença misericordiosa. E esta é a única certeza que encontramos diante de Deus: Ele é misericórdia!

 

Para bem celebrarmos esta Festa vamos recorrer aos textos bíblicos-litúrgicos deste domingo, os quais nos auxiliam a compreender e a meditar a misericórdia de Deus por meio de sua Palavra.

 

Na primeira leitura (At 2, 42-47) nos deparamos com o maior fruto da Ressurreição de Cristo: a unidade. No versículo 44, o autor sagrado de Atos dos Apóstolos nos confirma que: “Todos os que abraçavam a fé viviam unidos e colocavam tudo em comum”.

 

Em que consiste em viver unidos e colocar tudo em comum?

 

Muito brevemente: nos evangelhos é perceptível o anseio de Jesus em estar sempre rodeado de pessoas, ou melhor, em comunidade, como, por exemplo, a comunidade dos discípulos e até com as multidões. Prova disto são os inúmeros milagres e feitos do Senhor que sempre se sucederam no meio de todos, para que todos vissem e testemunhassem em primeira mão o seu senhorio. Portanto, a unidade de Jesus com os seus sempre foi motivo para Ele se manifestar quem realmente Ele era, e para deixar claro que onde não há essa virtude, não existe a sua presença.

 

Na segunda leitura (1 Pd 1, 3-9) São Pedro se dirige àqueles que não conheceram em vida Jesus Cristo, mas pelo testemunho dos apóstolos foram capazes de amar e crer no Filho de Deus. Foi em virtude do amor e da fé que Pedro lhes disse: “Sem ter visto o Senhor, vós o amais. Sem o ver ainda, nele acreditais” (v. 8).

 

Meus irmãos e minhas irmãs, as palavras do versículo acima nos chamam a atenção para a experiência que hoje devemos fazer com o Senhor. Na ocasião da segunda leitura, Pedro voltou-se à sua comunidade, isto é, àqueles que não conheceram e tampouco tiveram um encontro com o Senhor. Porém, ele assegurou que quem visse o Cristo seria capaz de amar, e mais ainda, torna-se-ia capaz de crer verdadeiramente. Mas, como amar e crer em alguém sem tê-Lo visto?


Somente pela fé que se consegue ver para assim de fato amar e crer em totalidade, porque assim é preciso para aqueles que desejam ser salvos, visto que: “Isso será para vós fonte de alegria indizível e gloriosa, pois obtereis aquilo em que acreditais: a vossa salvação” (vv. 8b-9).

 

No evangelho (Jo 29, 19-31), a comunidade joanina nos introduz em um caminho que para nós hoje se faz conhecido como aquele da misericórdia de Deus. É por isso que os convido a imaginar esse caminho em três principais momentos,  para que possamos adentrar à cena do evangelho e vislumbrarmos Jesus em seus gestos e ações. Estas que nos direcionam às atitudes de sua infinita misericórdia, motivo da Festa que neste 2º Domingo da Páscoa nós celebramos.

 

No primeiro momento Jesus se colocou no meio dos seus discípulos que estavam em comum e unidade (comunidade) e lhes desejou a paz: “A paz esteja convosco!” (v. 19b). Com este desejo meditamos a atitude de Cristo em tomar a iniciativa de estar ali naquele exato momento, e permanecer naquilo que era de seu maior anseio, ou seja, estar na companhia dos seus discípulos.

 

Queridos irmãos e irmãs, a primeira atitude de Jesus nos faz questionar a respeito do seu desejo em estar no meio dos discípulos. O principal motivo Dele aparecer a eles foi para comprovar a sua Ressurreição e ainda para contrapor o medo com que possuíam em relação aos judeus, por isso “as portas estavam fechadas” (v. 19). Sendo assim, com a sua aparição, o Filho de Deus queria mostrar que não cabia espaço ao medo, já que a sua permanência ressuscitada no meio deles seria para sempre.

 

No segundo momento, o Cristo mostrou-lhes as mãos e o lado, o que causou grande alegria aos discípulos por verem o Senhor, e mais uma vez lhes desejou a sua paz soprando sobre eles o Espírito Santo (v. 20-22). Novamente encontramos aqui as atitudes de Jesus em confirmar através de suas mãos, de seu lado aberto, seu desejo de paz e o sopro do Espírito que Ele realmente havia ressuscitado, uma vez que sabia que somente assim os seus discípulos se alegrariam. Todavia, estas suas atitudes ainda não foram suficientes mesmo que o Cristo tenha se colocado no meio deles em comunidade. Seria necessário que alguém como Tomé, que não estava em comunidade quando Jesus lhes apareceu da outra vez, para que obtivesse a experiência direta e íntima com o Senhor, pois esta é a maneira que o Ressuscitado age com todos aqueles que Ele o ama, isto é, possibilitar que todos obtenham uma experiência pessoal de fé com Ele.

 

No terceiro momento do evangelho, especificamente após oito dias em que o Senhor havia se colocado no meio deles, Jesus novamente lhes apareceu, a fim de colocar à prova a fé de Tomé, o didímio, que representa cada um de nós, que muitas vezes não acreditamos o suficiente na Ressurreição e tampouco na permanência do Ressuscitado entre nós. Desse modo, como da outra vez, Jesu se colocou no meio deles e lhes desejou: “A paz esteja convosco!” (v. 26). E depois disse a Tomé: “Põe o teu dedo aqui e olha as minhas mãos. Estende a tua mão e coloca-a no meu lado. E não sejas incrédulo, mas fiel” (v. 27).

 

Caros irmãos e irmãs, na terceira vez que o Cristo se pôs no meio dos discípulos e quis que a sua paz estivesse com eles, não foi para fazer de conta. Pelo contrário, foi para demonstrar-lhes que Ele levaria até o fim a sua promessa que iremos celebrar daqui cinquenta dias na sua Ascensão ao céu: “Eis que estarei convosco até o fim dos tempos” (Mt 28, 20).

 

Hoje somos chamados a crer que diante da permanência de Cristo no meio dos discípulos e em nosso meio, nos faz experimentar a sua misericórdia. Pode ter sido Tomé o último dos discípulos a ver a marca dos pregos e a tocar no lado de Jesus, o que o fez exclamar em voz alta: “Meu Senhor e meu Deus!” (Jo 20, 28). Mas, muitas vezes somos os últimos dos cristãos que como Tomé, somos incrédulos e enfieis, porque vamos às Missas, participamos dos sacramentos, e ainda somos fracos na fé por não crer de verdade. É por isso que hoje o Filho de Deus por meio de sua Ressurreição quer nos alcançar em sua misericórdia, pois Ele disse que bem-aventurados somos nós que mesmo não tendo visto, eu diria ainda que “mesmo ainda não querendo ver”, pela misericórdia chegamos a ver para acreditar e a tocar para confiar, para que no nome de Jesus Cristo sejamos salvos (vv. 29-31).

 

Que Deus tenha misericórdia de nós e do mundo inteiro!

 

(Luís Guilherme Santos da Rocha)

 


domingo, 5 de abril de 2026

1º Domingo da Páscoa – Ano A

Este é o dia que o Senhor fez para nós: alegremo-nos e Nele exultemos” (Sl 117).

 

Caríssimos irmãos e irmãs, nós católicos nascemos para este bendito dia! Porque hoje é a Páscoa do Senhor, isto é, a passagem de Cristo em nossa vida. Não uma passagem curta e momentânea, mas eterna e fiel, porque Ele está entre nós!

 

Na liturgia deste domingo nós celebramos a Luz de Jesus Cristo. Os mistérios pré figurativos e provocativos que celebrávamos ao longo de todo o período quaresmal se fundamentam e encontram sentido pleno na solenidade de hoje. Por isso, de uma vez por todas com a Ressurreição, o Senhor quer vencer em nós todos os tipos de poderes que buscamos; Ele se revela totalmente transfigurado a nós; Ele sacia a nossa sede; ilumina a nossa escuridão; nos tira da cegueira e nos chama para fora como fizera a seu amigo Lázaro.

 

Queridos irmãos e irmãs, a liturgia da Palavra para nós é providencial. Por meio dela meditamos os feitos do Senhor, para que a graça de Deus seja confirmada em nós; certos de que não existe vida sem fé e tampouco fé sem vida. E hoje a fé nos conduz a crer que a vida venceu a morte.

 

Na primeira leitura (At 10, 34a.37-43) ouvimos a palavra de Pedro, o qual tomando a palavra levou ao conhecimento todos aqueles que ainda não conheciam o Cristo, pois sabia do mandato deixado pelo Senhor. Na segunda leitura (Cl 3, 1-4), São Paulo exorta a todos da comunidade dos Colossenses a esforçarem não por aquilo que é deste mundo é passageiro, e sim por aquilo que está no mais alto, que por sinal é eterno e divino. Por fim, o evangelho (Jo 20, 1-9) coroa todo o acontecimento de hoje: a Ressurreição.

 

O evangelho escutamos é repleto de sinais que confirmam em nós o excelso mistério que celebramos. O evangelista João nos narra que era o primeiro dia da semana, ou seja, era domingo, o dia do Senhor, por isso é nosso dia e nascemos para ele. Mais adiante encontramos a presença de Maria Madalena, a testemunha ocular da Ressurreição que chegando ao túmulo em que o Senhor havia sido sepultado, se depara com a cena do túmulo vazio e aberto. Este sinal sensível é fundamental, uma vez que o evangelista descreve o momento exato em que Maria de Magdala vai ao encontro não do túmulo sem sentido, porém, do seu Senhor, porque havia uma promessa em que Ele ressuscitaria no terceiro dia.

 

Meus irmãos e minhas irmãs, o momento em que Maria Madalena se dirigiu ao túmulo foi na madrugada para o amanhecer simbolizando que é depois da escuridão que Jesus Cristo se revela como Senhor Ressuscitado. Todavia, um outro destelhe nos chama a atenção. Para certificar a Ressureição de Jesus era preciso chamar a comunidade dos discípulos, simbolizada na Igreja, a qual na pessoa do apóstolo Pedro confirma a fé: Jesus verdadeiramente ressuscitou!

 

No evangelho joanino para toda confirmação exige um sinal que revela e comprove a autenticidade da mensagem, porque os sinais não se esgotam, pelo contrário, todos unidos revelam o verdadeiro sentido do evangelho ser para nós. Assim sendo, nós versículo de 6 a 8 deste evangelho, Pedro confirma a fé mediante ao “pano enrolado em um lugar à parte” (v. 7). Na cultura judaica todas as vezes que o senhor (chefe da casa) estando em uma refeição deixava o pano enrolado sobre a mesa era sinal claro de que Ele que voltaria a comer daquela comida novamente. Por isso, o pano enrolado sobre a mesa confirma a Pedro e ao discípulo mais novo que o Senhor prometera que votaria e realmente voltou, ou melhor, ressuscitou conforme Ele mesmo disse.

 

Caros irmãos e irmãs, todos esses sinais devem confirmados em nós no dia de hoje e durante todo este Tempo da Páscoa que hoje se inaugura, até a Solenidade de Pentecostes. Portanto, que façamos a experiência com o Ressuscitado e sejamos anunciadores e testemunhas da sua Ressurreição a tantas e tantas pessoas que ainda se encontram em estado de morte, de pecado e falta de fé. É missão nossa seguir o mesmo mandato dos apóstolos deixado pelo Cristo na noite de ontem: Ide anunciar aos meus irmãos que se dirijam para a Galiléia. Lá eles me verão” (Mt 28, 10). Porque para nós “este é o nosso dia” (Sl…), dia que o Senhor fez para mim, para você e para todos nós.

 

Que Deus confirme a nossa fé na Ressureição de seu amado Filho Jesus!

 

(Luís Guilherme Santos da Rocha)


4º Domingo da Páscoa – Ano A

“ Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância” (Jo 10, 10).   Caríssimos irmãos e irmãs, celebramos hoje o 4º Domingo da Páscoa, ...