sábado, 13 de junho de 2026

11º Domingo do Tempo Comum – Ano A

         Queridos irmãos e irmãs, celebramos o 11º Domingo do Tempo Comum. A liturgia deste domingo nos convida a refletir sobre a dinâmica do Reino de Deus em nossa vida, já prefigurado no Antigo Testamento como porção escolhida pela primeira leitura (Ex 19, 2-6a).

 

No evangelho (Mt 9, 36-10, 8), Jesus se dirige aos doze discípulos que Ele mesmo escolheu e chamou, dizendo: “O Reino dos Céus está próximo” (Mt 10, 7). De fato, o Reino já se fazia próximo a eles, assim como hoje se faz a nós.

 

Caros irmãos e irmãs, a realidade do Reino é grandiosa, marcante, e acima de tudo, ela se destina aos fortes, ou seja, àqueles que realmente estão dispostos a “dar a cara a bater” por causa de um Bem maior.

 

Dificilmente se poderá definir ou classificar o Reino de Deus. Pelos relatos dos evangelho vemos que Jesus nunca definiu o Reino, porque Ele sabia que se essa realidade, a qual abrange a todos, fosse definida; jamais se poderia viver por ela. E aqui está o ponto fulcral da liturgia deste domingo: para o Reino se deve viver!

 

No relato evangélico de hoje, o Messias não quis promover o Reino para aqueles doze que Ele escolheu, a a fim de eles se empenhasse a viver em vão. Pelo contrário, ao chamá-Los, Ele os convoca a curar os doentes, ressuscitar os mortos, purificar os leprosos, expulsar os demônios (Mt 10, 8).

 

Quem se proporá a fazer isso, se não os fortes e corajosos? Nisto consiste o rigor do chamado, pois muitos são chamados, mas poucos são os escolhidos (Mt 22, 14). E Deus sabe muito bem quem Ele escolhe!

 

Irmãos e irmãs, se essa Palavra nos é dirigida hoje é porque Deus nos escolheu e nos chama a se empenhar pela causa do seu Reino. O seu convite é para sermos homens e mulheres fortes e corajosos. Pois Ele espera e conta apenas com o nosso “sim”.

 

Na nossa vida cotidiana muitos são os doentes, os mortos, os leprosos que estão ao nosso lado esperando que nós sejamos sinais e trabalhadores deste Reino, que não é nosso, mas de Deus. Muitos são os demônios que precisamos expulsar, e aqui não se trata de maus espíritos, mas de realidades difíceis e vazias; basta olharmos atentamente para a vivência daqueles que vivem de acordo com o Mundo. Quantos ainda sofrem e se encontram perdidos.

 

Meus irmãos e minhas irmãs, o Reino inaugurado pelo Messias é para agora, uma vez que inserido nele se recebe a saude, o amor, concórdia, paz e alegria. Este Reino não pode ser definido, porque nele se vive, se empenha, se trabalha e se doa. Assim sendo, hoje nos cabe a decisão: queremos ou não viver e se empenhar pelo Reino de Deus?

 

Na segunda leitura (Rm 5, 6-1) compreendemos que corresponder ao Reino de Deus é antes corresponder para com o amor de Cristo, que morreu por amor a nós. Ele é quem inaugurou o Reino e nos reconciliou com o amor do Pai. Se temos vida é porque a recebemos Dele. E aqui está mais um motivo para nos empenharmos a viver pelo Reino, porque fora dele realmente não há vida!

 

Que Deus nos faça operários para que outras pessoas sintam-se atraídas a viver pelo Reino Celeste!

 

(Luís Guilherme Santos da Rocha)


sábado, 6 de junho de 2026

10º Domingo do Tempo Comum – Ano A

 Estimados irmãos e irmãs, providencialmente na Oração da Coleta da Missa deste domingo rezamos a Deus, fonte de todo o bem: “(…) fazei-nos, por vossa inspiração, pensar o que é certo e realizá-lo com vossa ajuda”. Por meio dessa oração a liturgia nos permite pedir a Deus a inspiração de pensar e ao mesmo realizar aquilo é correto, e somente Deus é capaz de nos ajudar nesse bom propósito!

 

A imagem de Deus que a liturgia deste domingo nos apresenta é de um Deus bom, certo e misericordioso. A primeira prova dessa imagem encontramos na primeira leitura (Os 6, 3-6). No contexto em que o profeta Oseias profetizou, o povo buscava a Deus com palavras e ritos vazios, e os seus sacrifícios eram quase que mecânicos. Pouco se procurava a Deus de coração e com determinada fé. Por isso, o profeta Oseias admoesta o povo ao dizer que a vinda do Senhor estava tão certa como a aurora e como as primeiras e tardias chuvas que caem sobre o solo (v. 3).

 

Ao contrário de tudo o que era vazio e sem sentido, a vinda do Senhor asseguraria aquilo que era mais “sagrado”, ou seja, o amor, a misericórdia e o conhecimento profundo Dele. Foi exatamente por esses motivos que o profeta afirmou: “quero amor, e não sacrifícios, conhecimento de Deus, mais do que holocaustos” (Os 6, 6).

 

Hoje somos convidados a olhar para a nossa realidade de vida e para a nossa prática da fé, a fim de que nos questionemos a respeito do modo em que nos colocamos na presença de Deus; se confiamos ou não no seu amor por nós; com quais palavras ousamos conversar com Ele, e acima de tudo, somos instigados a fazer um bom exame de consciência para averiguarmos como anda o nosso conhecimento sobre Deus. 

 

Santo Agostinho certa vez disse: “Ninguém ama o que não conhece!”. Sem sombre de dúvidas, essa verdade é dura de ouvir porque ela é tão real e ao mesmo tempo necessária de ser ouvida. O amor é algo sério e exigente. Se dizemos que amamos a Deus é porque por primeiro temos a experiência com o Seu amor. O próprio evangelista João em sua carta nos diz: “E o amor é isto: não fomos nós que amamos a Deus, mas foi ele que nos amou” (1Jo 4, 10). Portanto, o nosso amor por Deus deve ser um amor de correspondência e de conhecimento.

 

No evangelho (Mt 9, 9-13) nos deparamos com o gesto de amor de Deus por Mateus. Conforme a narrativa, Jesus ao passar pela região de Cafarnaum avistou Mateus sentado na coletoria de impostos e ao vê-lo, exclamou: “Segue-me” (v. 9). Imaginemos o olhar de Jesus para Mateus. Este certamente era alguém odiado pelos judeus por causa de sua profissão como cobrador de impostos. Mas, alguém foi capaz de olhar para ele de maneira muito diferente e nova.

 

Caros irmãos e irmãs, o olhar do Cristo para Mateus foi tão impactante e cativante a ponto daquele homem levantar-se de sua condição de pobreza interior para seguir o Messias. A atitude do cobrador de impostos em seguir a Jesus representa o seu desejo de mudar o rumo de sua vida; sair da ganância e do poder que aprisiona, para conhecer de perto aquele Messias libertador e tão esperado.

 

Certamente, no primeiro momento Mateus ao se sentir cativado pelo Mestre Jesus tomou a decisão de segui-Lo com um sentimento de descoberta e até de especulação. Pois ele queria ver e conhecer quem era Aquele que olhou de verdade em seus olhos e sem nenhum receio lhe chamou para segui-Lo.

 

Jesus como aquele que faz sempre o que é certo foi a casa de Mateus, porque é em torno da mesa que se conhece alguém. E nesse caminho de conhecimento os fariseus, por não conhecerem o Cristo e tampouco saber o que é certo, questionaram os discípulos sobre o motivo do Mestre comer com os cobradores de impostos e pecadores. A resposta do Jesus é enfática, mas melhor ainda é lição que Ele os ensinou quando disse: “Quero misericórdia e não sacrifício’. De fato, eu não vim para chamar os justos, mas os pecadores” (Mt 9, 13).

 

Meus irmãos e minhas irmãs, Jesus fez o certo na vida de Mateus, a prova de que Ele fez o certo se encontra naquilo que Mateus posteriormente se tornou: um evangelista! Deus sempre vem até nós com a sua misericórdia. É por isso que hoje Jesus assim como olhou e chamou Mateus, chama a cada um de nós para seguirmos a Ele, a fim de que como filhos e filhas da Promessa e justificados por Deus em Jesus Cristo (segunda leitura de Rm 4, 18-22), cheguemos a pensar naquilo que é certo e a fazer também o que é correto. Isto é, amar quem precisa ser amado, cuidar de quem precisa ser cuidado, e lembrar de quem foi esquecido; porque é exatemente isso que Jesus faz com aqueles que Ele ama!

 

Que Deus nos ajude nesse bom propósito!

 

(Luís Guilherme Santos da Rocha)


quarta-feira, 3 de junho de 2026

Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo - Ano A

 Queridos irmãos e queridas irmãs, para nós católicos, hoje é um dia muito especial, pois celebramos com toda a Igreja a solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Jesus Cristo. Essa solenidade surgiu durante o pontificado do Papa Urbano IV, especificamente no ano de 1264 após a consequentes visões místicas de Santa Juliana e com o milagre eucarístico em Bolsena.

 

      Para nós católicos, celebrar o Corpo e o Sangue de Cristo é celebrar o mistério da nossa fé, o mistério que nos faz reunirmos enquanto comunidade de fé e comunidade orante, porque a Eucaristia é o nosso alimento e o “norte” que nos direciona ao céu.

 

      No Evangelho (Jo 6, 51-58) dessa solene liturgia, Jesus se coloca como o Pão da vida, o Pão que mata e sacia a nossa fome de Deus e de vida eterna. Por isso mesmo, o Filho de Deus vai dizer: “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue, permanece em mim e eu nele, e eu o ressuscitarei no último dia, pois a minha carne é verdadeira comida e o meu sangue verdadeira bebida” (vv. 54-55). Jesus, meus irmãos e irmãs, se coloca, se apresenta, se autorrevela a nós como o Pão que é nós entregue para matar a nossa fome e saciar a nossa sede com o sangue; sede de céu, de eternidade, de Deus e de sermos aquilo que Ele deseja, isto é, que Ele sonha para nós, que é a comunhão com Ele, a comunhão que se faz a partir do seu corpo e do seu sangue.

 

      O Cristo Jesus que se apresenta nos deixa muito claro a certeza de que enquanto se vai comendo da carne e bebendo do sangue, se vai ganhando já neste mundo a vida eterna, a ressurreição. Por isso, carne e sangue são garantias de vida eterna, são prerrogativas de salvação, de ressurreição no último dia.

 

      A primeira leitura (Dt 8, 2-3.14b-16a) Moisés reforça dizendo ao povo: “Lembra-te do caminho por onde Deus te conduziu” (v. 2). O povo do deserto tinha uma direção certa e segura, a terra prometida, mas para que chegassem nela, um alimento foi primordial para que até então matasse a fome deles: o maná.

 

      Caríssimos irmãos e irmãs, para nós hoje, o maná que nos sustenta é a Eucaristia. Ela é que nos permite caminhar para a terra prometida, que é o céu, a eternidade. Sem esse alimento nós não conseguimos peregrinar; nós não conseguimos nem olhar para cima e vislumbrar a glória que nos espera. Portanto, comungar é fazer experiência já aqui na terra daquilo que viveremos com Deus no céu.

 

      O apóstolo Paulo na segunda leitura (1Cor 10, 16-17) reforça dizendo que o cálice por nós abençoado é a comunhão do sangue de Cristo e o pão partido é o próprio corpo de Cristo, porque o apóstolo dirigindo-se à comunidade de Coríntios deixa de fato explícito que a comunhão é o elo que os faz serem chamados de cristãos. Essa comunhão que se faz por meio do mesmo cálice e do mesmo é comunhão segura. E é por esse motivo que chegamos ao salmo de hoje, que vai dizer que Deus se revelou a nós e se fez conhecer a cada um de nós.

 

      Desejo que essa Eucaristia sirva para nos motivar a olhar para o céu, olhar para a glória futura, porque de fato é para lá que nós caminhamos, ou melhor, que nós peregrinamos. E que a Eucaristia, centro e ápice de toda a vida cristã, seja para nós o maior dos consolos, o maior dos remédios para as nossas feridas e para as nossas dores.

 

Louvado seja o nosso sangue ao Jesus Cristo, para sempre seja louvado!

 

(Luís Guilherme Santos da Rocha)


sábado, 30 de maio de 2026

Solenidade da Santíssima Trindade – Ano A

       Caríssimos irmãos e irmãs, neste dia em que celebramos a Solenidade da Santíssima Trindade, gostaria de iniciar esta minha reflexão dominical citando uma afirmação da renomada teóloga Maria Clara Bingemer que certa vez disse: “No chão da vida brota a confirmação da certeza maior que alimenta a nossa fé: Deus é Trindade –, Pai, Filho e Espírito Santo. Deus é comunhão de Três Pessoas que se amam infinita e eternamente”.

 

Plasmando a comunhão perfeita e íntima de Deus que nos provoca à comunhão com Ele e com os irmãos, hoje por meio desta solene liturgia nós somos convidados a adentrar ao mistério comunicador e comunicante de Deus uno e trino. Um mistério que é eterno e digno de fé, capaz de gerar em nós a verdadeira comunhão, porque Deus é, sempre foi e será, acima de todas as concepções que podemos possuir a Seu respeito, comunhão. Por essa razão, a liturgia nos convoca a olhar para as realidades da vida; aquelas que compõem a nossa história, uma vez que Deus, como oferta de amor e graça se autocomunicou revelando-se a todos nós, pois fomos por meio desta revelação alcançados e salvos por Ele, em seu Filho Jesus Cristo, na unidade do Espírito Santo (Rahner).

 

Na primeira leitura (Ex 34, 4b-6.8-9) nos deparamos com o mandato de Deus que fez Moisés levantar-se durante a noite e subir ao monte Sinai carregando consigo duas tábuas de pedra. Estando Moisés no monte, o Senhor desceu na nuvem e permaneceu com ele e, enquanto o Senhor passava diante dele, Moisés invocou (gritou) o nome do Senhor: “Senhor, Senhor! Deus misericordioso e clemente, paciente, rico em bondade e fiel” (v. 6). Aqui um detalhe nos chama a atenção: Moisés invocou e gritou o nome de Deus!

 

Na mentalidade semítica invocar o nome de alguém, como por exemplo o nome de Deus, denota duas motivações, a primeira delas consiste em reconhecer a própria essência, caráter e autoridade da pessoa; por isso que muitas vezes, conforme está nas Sagradas Escrituras, o povo não mencionava o nome de Deus, apenas em sua forma mais abreviada, como “YHWH”. A segunda motivação baseia-se em admitir que quem é invocado é maior que aquele que o chama; por isso, este assumia uma postura de servo.

 

Considerando a segunda motivação, nos últimos versículos da primeira leitura, o autor sagrado faz questão de assinalar que “imediatamente, Moisés curvou-se até o chão e, prostrado por terra, disse: ‘Senhor, se é verdade que gozo de teu favor, peço-te, caminha conosco embora este seja um povo de cabeça dura, perdoa nossas culpas e nossos pecados e acolhe-nos como propriedade tua’” (Ex 34, 9). A nossa atenção nesse momento se volta para o gesto de curvar-se até o chão e ao pedido de Moisés: “caminha conosco”.

 

Por que Moisés suplicou para que Deus caminhasse com eles?

 

Meus irmãos e minhas irmãs, Moisés era um servo de Deus, por isso temia e reconhecia que Ele era o seu Senhor. Moisés vendo as más atitudes e as más condutas daquele povo, a única procedência que lhe cabia seria interceder e suplicar ao Senhor de todo o coração que caminhasse com o seu povo, ou seja, que fizesse o caminho com eles; caminho este que parecia não ter fim, pois a terra prometida parecia estar tão distante e quase impossível de ser alcançada.

 

O servo de Deus sabia que o “caminhar” do Senhor na vida deles não seria sem direção e tampouco seria realizado sozinho, ao contrário, Moisés por crer verdadeiramente em Deus compreendia que o caminho deveria ser feito sempre vislumbrando o propósito de Deus que os chamava a caminhar com Ele. Aqui vemos “a confirmação da certeza maior que alimenta a nossa fé”: Deus é! E por ser, Ele estaria constantemente na presença deles.

 

Caros irmãos e irmãs, trazendo essa perspectiva do Êxodo para a nossa realidade e para nossa vida de fé, devemos tirar de lição que é necessário cultivar em nós a certeza de que Deus Trindade caminha conosco, mesmo quando nos sentimos sozinhos, perdidos e sem rumo, porque estamos a todo instante na presença Dele, e consequentemente Ele na nossa.

 

Na segunda leitura (2Cor 13, 11-13) encontramos as palavras de ânimo e encorajamento do apóstolo à comunidade de Corinto. Paulo deixa claro que viver na alegria, trabalhar no aperfeiçoamento, encorajar um ao outro, cultivar a concórdia, viver em paz é sinal de estar na graça de Jesus Cristo, no amor de Deus e na comunhão do Espírito Santo.

 

Irmãos e irmãs, o apóstolo propõe à sua comunidade o caminho de resposta a Deus. Se na primeira leitura o pedido de Moisés foi para que Deus tomasse a iniciativa de caminhar com eles. Nesse momento, por meio das palavras de Paulo notamos que existem passos que podem nos fazer corresponder a iniciativa de Deus e nos levar até Ele.

 

 – Quais são os passos?

 

Os passos são: alegria, aperfeiçoamento, encorajamento, concórdia e paz. Esse é o segredo para se viver em comunhão com Deus e em comunidade, uma vez que é na realização desses passos que a presença de Deus Trindade se torna mais visível na nossa história e nas diversas situações de nossa vida.

 

Com evangelho (Jo 3, 16-18) devemos nos ater à explicação do mistério da comunhão de Deus. O evangelista enfatiza que “Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito, para que não morra todo o que nele crer, mas tenha a vida eterna” (v. 16). Aqui meus irmãos e irmãs, encontramos a mais sublime resposta de Deus para nós. O caminho e o caminhar Dele não é senão o seu Filho Jesus Cristo. É o Filho a resposta para nós, porque no Novo Testamento, especialmente através desse evangelho dominical fica claro que não se deve apenas invocar ou gritar o nome de Deus, mas antes é preciso crer verdadeiramente no nome de seu Filho unigênito. E sem sombra de dúvidas, é o Espírito Santo quem nos leva a crer, como refletimos na liturgia do domingo passado.

 

Embora a nossa linguagem seja limitada para explicar e comparar o mistério da Santíssima Trindade, eu gostaria concluir esta reflexão dominical contando-lhes uma pequena história elucidativa:

 

O Pai, o Filho e o Espírito Santo, estavam partilhando do banquete da perfeita comunhão no céu. Mas, ao olhar para a Terra, o Pai viu o sofrimento dos seus filhos. Viu que andavam longe da alegria, sem coragem, sem concórdia e sem paz. Ele, vendo o abismo da solidão e movido por uma compaixão infinita, então indagou:

– Quem de nós descerá para resgatar a comunhão perdida e curar as feridas do mundo?

O Filho, fixando os seus olhos nos olhos do Pai, respondeu sem hesitar:

– Eu irei, Pai. E fazendo-Me carne entregarei a minha própria vida para reescrever a história deles, alcançando e salvando a todos.

E o Espírito Santo, contemplando a entrega sublime do Filho, declarou:

– Eu irei com Ele. Serei o sopro de vida no coração de cada um deles, revelando em cada coração humano o Teu amor-comunhão.

 

Queridos irmãos e irmãs, Deus Trindade veio, vem e sempre virá em nosso auxílio. Basta que cremos nesse mistério de amor e nos deixemos ser tocados por Ele, a fim de que vivamos em comunhão com Deus para vivermos em comunhão entre nós, pois esse é o maior desejo da Santíssima Trindade.

 

Que estejamos sempre unidos em nome de Deus que é: Pai, e Filho e Espírito Santo!

 

(Luís Guilherme Santos da Rocha)


domingo, 24 de maio de 2026

Solenidade de Pentecostes - Ano A

“Recebei o Espírito Santo” (Jo 20, 22)


Caríssimos irmãos e irmãs, celebramos a Solenidade de Pentecostes. Fazemos a memória da manifestação do Espírito Santo e o início da pregação dos apóstolos. Diante disto, uma certeza devemos possuir, nós não celebramos acontecimentos do passado, mas fazemos hoje a experiência com o sublime Dom de Deus, porque neste dia é Pentecostes para nós.

 

Caros irmãos e irmãs, a palavra Pentecostes vem do termo grego πεντηκοστή, que significa quinquagésimo, ou melhor, cinquenta dias. Para os judeus, Pentecostes é a mesma celebração do Shavuot (Festa das Semanas). A mudança terminológica dessa Festa ocorreu devido aos judeus de língua grega que substituíram o nome Shavuot para Pentecostes ainda no período da Septuaginta.

 

O Shavuot marca o fim da colheita e a entrega da Lei a Moisés no Monte Sinai. Enquanto para os cristãos, Pentecostes representa a descida do Espírito Santo sob os apóstolos e o “nascimento” público da Igreja.

 

Esses motivos supracitados nos provocam uma considerável reflexão:

 

– Se para os judeus, Pentecostes é o fim da colheita, para nós é o fim de qual colheita?

 

– Se para os judeus, Pentecostes é a comemoração do recebimento da Lei de Moisés, nós cristãos comemoramos qual recebimento?

 

Meus irmãos e minhas irmãs, hoje é o fim da nossa colheita, pois tudo aquilo que Nosso Senhor havia de realizar já foi realizado. A sua presença no meio de nós durante todo o tempo pascal foi a prova de que Ele, após a sua ressurreição, aos poucos colhia de nós a fé e a vivência dela. No mesmo sentido em que Jesus colhia de nós o que precisava ser colhido, hoje Ele nos oferece Aquele que é a δύναμις, ou seja, a força que veio para nos auxiliar a viver a lei do evangelho. Por isso que em Cristo já não existe a antiga Lei, pois Ele é a plenitude da Lei, e é somente o Espírito Santo quem confirma em nós essa certeza.

 

Na primeira leitura (At 2, 1-11) nos deparamos com Maria e os apóstolos todos reunidos em casa, quando um forte barulho semelhante a uma forte ventania encheu a casa onde eles se encontravam; línguas de fogo pousaram sobre eles e todos ficaram repletos do Espírito Santo (vv. 2-4). Vejamos, irmãos e irmãs, que os apóstolos receberam o Espírito e na mesma hora começaram a falar em línguas diferentes de acordo com o Espírito de Deus os suscitava. Sem sombra de dúvidas, essas diferentes línguas são os dons do Espírito Santo, os quais foram dados aos apóstolos porque era ali, em Jerusalém, que eles deveriam começar o anúncio da Boa-Nova de Jesus Cristo.

 

Segundo alguns teólogos, naquele contexto da Festa de Shavuot, em Jerusalém havia muitas pessoas que foram até lá para oferecerem a Deus a sua colheita e a sua oferta agradável, por isso o Espírito concedeu aos apóstolos o dom de falar outras línguas. Estas seriam extremamente necessárias, para que eles pudessem anunciar as maravilhas de Deus aos povos de todas as nações, como os partos, medos, elamitas etc., os quais simbolizam a universalidade da missão e pregação da Igreja.

 

Na segunda leitura (1 Cor 12,3b-7.12-13) o apóstolo Paulo confirma a universalidade da Igreja ao destacar a diversidade de dons, ministérios e atividades que o Espírito de Deus é capaz de suscitar àqueles que formam um só corpo, isto é, a Igreja de Cristo (v. 12).

 

No evangelho (Jo 20, 19-23) o Senhor se coloca no meio da comunidade dos apóstolos e a eles deseja a sua paz: o seu Shalom. Depois soprou sobre eles dizendo: “Recebei o Espírito Santo” (v. 22), para confirmar a sua paz.

 

Hoje o Senhor também se dirige a nós para nos oferecer o Espírito Santo, o Dom de Deus. É este mesmo Espírito quem nos leva a plenitude da perfeição; que ora em nós e nos dá a paz; que conduz a nossa Igreja; que santifica o nosso ser e ainda nos garante o amor de Deus por nós.

 

Que possamos suplicar: Vem, Espírito Santo de Deus! Pois o Senhor quer que O recebamos em nossa vida!

 

(Luís Guilherme Santos da Rocha)

 


11º Domingo do Tempo Comum – Ano A

          Queridos irmãos e irmãs, celebramos o 11º Domingo do Tempo Comum. A liturgia deste domingo nos convida a refletir sobre a dinâmica...