“Recebei o Espírito Santo” (Jo 20, 22)
Caríssimos irmãos e irmãs, celebramos a Solenidade de Pentecostes. Fazemos a memória da manifestação do Espírito Santo e o início da pregação dos apóstolos. Diante disto, uma certeza devemos possuir, nós não celebramos acontecimentos do passado, mas fazemos hoje a experiência com o sublime Dom de Deus, porque neste dia é Pentecostes para nós.
Caros irmãos e irmãs, a palavra Pentecostes vem do termo grego πεντηκοστή, que significa quinquagésimo, ou melhor, cinquenta dias. Para os judeus, Pentecostes é a mesma celebração do Shavuot (Festa das Semanas). A mudança terminológica dessa Festa ocorreu devido aos judeus de língua grega que substituíram o nome Shavuot para Pentecostes ainda no período da Septuaginta.
O Shavuot marca o fim da colheita e a entrega da Lei a Moisés no Monte Sinai. Enquanto para os cristãos, Pentecostes representa a descida do Espírito Santo sob os apóstolos e o “nascimento” público da Igreja.
Esses motivos supracitados nos provocam uma considerável reflexão:
– Se para os judeus, Pentecostes é o fim da colheita, para nós é o fim de qual colheita?
– Se para os judeus, Pentecostes é a comemoração do recebimento da Lei de Moisés, nós cristãos comemoramos qual recebimento?
Meus irmãos e minhas irmãs, hoje é o fim da nossa colheita, pois tudo aquilo que Nosso Senhor havia de realizar já foi realizado. A sua presença no meio de nós durante todo o tempo pascal foi a prova de que Ele, após a sua ressurreição, aos poucos colhia de nós a fé e a vivência dela. No mesmo sentido em que Jesus colhia de nós o que precisava ser colhido, hoje Ele nos oferece Aquele que é a δύναμις, ou seja, a força que veio para nos auxiliar a viver a lei do evangelho. Por isso que em Cristo já não existe a antiga Lei, pois Ele é a plenitude da Lei, e é somente o Espírito Santo quem confirma em nós essa certeza.
Na primeira leitura (At 2, 1-11) nos deparamos com Maria e os apóstolos todos reunidos em casa, quando um forte barulho semelhante a uma forte ventania encheu a casa onde eles se encontravam; línguas de fogo pousaram sobre eles e todos ficaram repletos do Espírito Santo (vv. 2-4). Vejamos, irmãos e irmãs, que os apóstolos receberam o Espírito e na mesma hora começaram a falar em línguas diferentes de acordo com o Espírito de Deus os suscitava. Sem sombra de dúvidas, essas diferentes línguas são os dons do Espírito Santo, os quais foram dados aos apóstolos porque era ali, em Jerusalém, que eles deveriam começar o anúncio da Boa-Nova de Jesus Cristo.
Segundo alguns teólogos, naquele contexto da Festa de Shavuot, em Jerusalém havia muitas pessoas que foram até lá para oferecerem a Deus a sua colheita e a sua oferta agradável, por isso o Espírito concedeu aos apóstolos o dom de falar outras línguas. Estas seriam extremamente necessárias, para que eles pudessem anunciar as maravilhas de Deus aos povos de todas as nações, como os partos, medos, elamitas etc., os quais simbolizam a universalidade da missão e pregação da Igreja.
Na segunda leitura (1 Cor 12,3b-7.12-13) o apóstolo Paulo confirma a universalidade da Igreja ao destacar a diversidade de dons, ministérios e atividades que o Espírito de Deus é capaz de suscitar àqueles que formam um só corpo, isto é, a Igreja de Cristo (v. 12).
No evangelho (Jo 20, 19-23) o Senhor se coloca no meio da comunidade dos apóstolos e a eles deseja a sua paz: o seu Shalom. Depois soprou sobre eles dizendo: “Recebei o Espírito Santo” (v. 22), para confirmar a sua paz.
Hoje o Senhor também se dirige a nós para nos oferecer o Espírito Santo, o Dom de Deus. É este mesmo Espírito quem nos leva a plenitude da perfeição; que ora em nós e nos dá a paz; que conduz a nossa Igreja; que santifica o nosso ser e ainda nos garante o amor de Deus por nós.
Que possamos suplicar: Vem, Espírito Santo de Deus! Pois o Senhor quer que O recebamos em nossa vida!
(Luís Guilherme Santos da Rocha)
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