Queridos irmãos e irmãs, celebramos o 11º Domingo do Tempo Comum. A liturgia deste domingo nos convida a refletir sobre a dinâmica do Reino de Deus em nossa vida, já prefigurado no Antigo Testamento como porção escolhida pela primeira leitura (Ex 19, 2-6a).
No evangelho (Mt 9, 36-10, 8), Jesus se dirige aos doze discípulos que Ele mesmo escolheu e chamou, dizendo: “O Reino dos Céus está próximo” (Mt 10, 7). De fato, o Reino já se fazia próximo a eles, assim como hoje se faz a nós.
Caros irmãos e irmãs, a realidade do Reino é grandiosa, marcante, e acima de tudo, ela se destina aos fortes, ou seja, àqueles que realmente estão dispostos a “dar a cara a bater” por causa de um Bem maior.
Dificilmente se poderá definir ou classificar o Reino de Deus. Pelos relatos dos evangelho vemos que Jesus nunca definiu o Reino, porque Ele sabia que se essa realidade, a qual abrange a todos, fosse definida; jamais se poderia viver por ela. E aqui está o ponto fulcral da liturgia deste domingo: para o Reino se deve viver!
No relato evangélico de hoje, o Messias não quis promover o Reino para aqueles doze que Ele escolheu, a a fim de eles se empenhasse a viver em vão. Pelo contrário, ao chamá-Los, Ele os convoca a curar os doentes, ressuscitar os mortos, purificar os leprosos, expulsar os demônios (Mt 10, 8).
Quem se proporá a fazer isso, se não os fortes e corajosos? Nisto consiste o rigor do chamado, pois muitos são chamados, mas poucos são os escolhidos (Mt 22, 14). E Deus sabe muito bem quem Ele escolhe!
Irmãos e irmãs, se essa Palavra nos é dirigida hoje é porque Deus nos escolheu e nos chama a se empenhar pela causa do seu Reino. O seu convite é para sermos homens e mulheres fortes e corajosos. Pois Ele espera e conta apenas com o nosso “sim”.
Na nossa vida cotidiana muitos são os doentes, os mortos, os leprosos que estão ao nosso lado esperando que nós sejamos sinais e trabalhadores deste Reino, que não é nosso, mas de Deus. Muitos são os demônios que precisamos expulsar, e aqui não se trata de maus espíritos, mas de realidades difíceis e vazias; basta olharmos atentamente para a vivência daqueles que vivem de acordo com o Mundo. Quantos ainda sofrem e se encontram perdidos.
Meus irmãos e minhas irmãs, o Reino inaugurado pelo Messias é para agora, uma vez que inserido nele se recebe a saude, o amor, concórdia, paz e alegria. Este Reino não pode ser definido, porque nele se vive, se empenha, se trabalha e se doa. Assim sendo, hoje nos cabe a decisão: queremos ou não viver e se empenhar pelo Reino de Deus?
Na segunda leitura (Rm 5, 6-1) compreendemos que corresponder ao Reino de Deus é antes corresponder para com o amor de Cristo, que morreu por amor a nós. Ele é quem inaugurou o Reino e nos reconciliou com o amor do Pai. Se temos vida é porque a recebemos Dele. E aqui está mais um motivo para nos empenharmos a viver pelo Reino, porque fora dele realmente não há vida!
Que Deus nos faça operários para que outras pessoas sintam-se atraídas a viver pelo Reino Celeste!
(Luís Guilherme Santos da Rocha)