quarta-feira, 3 de junho de 2026

Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo - Ano A

 Queridos irmãos e queridas irmãs, para nós católicos, hoje é um dia muito especial, pois celebramos com toda a Igreja a solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Jesus Cristo. Essa solenidade surgiu durante o pontificado do Papa Urbano IV, especificamente no ano de 1264 após a consequentes visões místicas de Santa Juliana e com o milagre eucarístico em Bolsena.

 

      Para nós católicos, celebrar o Corpo e o Sangue de Cristo é celebrar o mistério da nossa fé, o mistério que nos faz reunirmos enquanto comunidade de fé e comunidade orante, porque a Eucaristia é o nosso alimento e o “norte” que nos direciona ao céu.

 

      No Evangelho (Jo 6, 51-58) dessa solene liturgia, Jesus se coloca como o Pão da vida, o Pão que mata e sacia a nossa fome de Deus e de vida eterna. Por isso mesmo, o Filho de Deus vai dizer: “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue, permanece em mim e eu nele, e eu o ressuscitarei no último dia, pois a minha carne é verdadeira comida e o meu sangue verdadeira bebida” (vv. 54-55). Jesus, meus irmãos e irmãs, se coloca, se apresenta, se autorrevela a nós como o Pão que é nós entregue para matar a nossa fome e saciar a nossa sede com o sangue; sede de céu, de eternidade, de Deus e de sermos aquilo que Ele deseja, isto é, que Ele sonha para nós, que é a comunhão com Ele, a comunhão que se faz a partir do seu corpo e do seu sangue.

 

      O Cristo Jesus que se apresenta nos deixa muito claro a certeza de que enquanto se vai comendo da carne e bebendo do sangue, se vai ganhando já neste mundo a vida eterna, a ressurreição. Por isso, carne e sangue são garantias de vida eterna, são prerrogativas de salvação, de ressurreição no último dia.

 

      A primeira leitura (Dt 8, 2-3.14b-16a) Moisés reforça dizendo ao povo: “Lembra-te do caminho por onde Deus te conduziu” (v. 2). O povo do deserto tinha uma direção certa e segura, a terra prometida, mas para que chegassem nela, um alimento foi primordial para que até então matasse a fome deles: o maná.

 

      Caríssimos irmãos e irmãs, para nós hoje, o maná que nos sustenta é a Eucaristia. Ela é que nos permite caminhar para a terra prometida, que é o céu, a eternidade. Sem esse alimento nós não conseguimos peregrinar; nós não conseguimos nem olhar para cima e vislumbrar a glória que nos espera. Portanto, comungar é fazer experiência já aqui na terra daquilo que viveremos com Deus no céu.

 

      O apóstolo Paulo na segunda leitura (1Cor 10, 16-17) reforça dizendo que o cálice por nós abençoado é a comunhão do sangue de Cristo e o pão partido é o próprio corpo de Cristo, porque o apóstolo dirigindo-se à comunidade de Coríntios deixa de fato explícito que a comunhão é o elo que os faz serem chamados de cristãos. Essa comunhão que se faz por meio do mesmo cálice e do mesmo é comunhão segura. E é por esse motivo que chegamos ao salmo de hoje, que vai dizer que Deus se revelou a nós e se fez conhecer a cada um de nós.

 

      Desejo que essa Eucaristia sirva para nos motivar a olhar para o céu, olhar para a glória futura, porque de fato é para lá que nós caminhamos, ou melhor, que nós peregrinamos. E que a Eucaristia, centro e ápice de toda a vida cristã, seja para nós o maior dos consolos, o maior dos remédios para as nossas feridas e para as nossas dores.

 

Louvado seja o nosso sangue ao Jesus Cristo, para sempre seja louvado!

 

(Luís Guilherme Santos da Rocha)


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