Caríssimos irmãos e irmãs, celebramos hoje o 16º Domingo do Tempo Comum. Assim como na liturgia dos domingos anteriores, hoje o Mestre Jesus continua os seus discursos em forma de parábola a respeito do Reino de Deus e de seus mistérios tão profundos.
No Evangelho (Mt 13, 24-43), o Senhor conta aos seus discípulos as três parábolas tão bem conhecidas, como do joio e do trigo, do grão de mostarda e do fermento na massa. Todavia, gostaria de me ater apenas na parábola do joio e do trigo, e exprimir dela o seu principal significado e os seus importantes sinais, que nos servem para o crescimento espiritual.
A parábola do joio e do trigo nos deixa claro que embora o Semeador semeie o trigo em seu campo, o inimigo que não é semeador em sua astúcia consegue semear o joio. Assim sendo, tanto o joio quanto o trigo crescem conjuntamente, e por sinal aos poucos se assemelham um ao outro. Mas, enquanto o joio é vazio por dentro, o trigo é repleto de sementes prontas para serem lançadas sobre a terra.
Caros irmãos e irmãs, o crescimento do joio e do trigo ensina que embora sejamos bons, porque o Criador que é bom nos criou para sermos bons, existe dentro de nós a inclinação para o mal, o que chamamos de concupiscência, a qual nos sujeita ao pecado e ao erro; mas que ao ser vencida pela graça nos permite permanecer e experimentar sempre a bondade de Deus. Com isso, tomamos a consciência de que em nós podem crescer tanto o mal como o bem, compete a nós regar o bem ou mal.
Muitas são as realidades de maldade em que nos sujeitamos. Muitas vezes agimos mal, fazemos escolhas erradas. Isso tudo é joio, porque é vazio e incapaz de produzir vida. Porém, se optarmos por regar o trigo, encontraremos sementes boas que nos possibilitará produzir coisas boas através do bem.
Diante disso devemos nos questionar: O que eu faço de bom? Será que tenho regado dentro de mim mais o trigo do que o joio? Somente um coração sincero e humilde é capaz de buscar por responder essas perguntas.
Queridos irmãos e irmãs, hoje o Senhor deseja que optemos por aquilo que é bom, para que o mal seja cortado e lançado fora. É desse mesmo modo que Deus quer que seja ensinado a todos que o justo seja de fato humano (bom), como nos narra o livro da Sabedoria (12, 13.16-19), na primeira leitura. E sendo Ele o conhecedor de nossas fraquezas, as quais por meio desta liturgia se revestem do joio e do mal, é o Espírito de Deus que constantemente vem em nosso auxílio e em auxílio de nossas fraquezas, como escreve Paulo na segunda leitura deste domingo (Rm 8, 26-27).
Caríssimos irmãos e irmãs, Deus não se escandaliza de nós, porque Ele espera verdadeiramente que façamos o bem, que buscamos por fazer a sua vontade, que buscamos acertar em tudo aquilo que fazemos; mesmo que muitas vezes nos percamos ou falhamos. A parábola de hoje nos provoca uma resposta: Seremos bons ou maus?
Que possamos hoje optarmos pelo bem, regarmos o trigo, mesmo que o joio cresça junto. Porque vai chegar o momento certo em que o joio será lançado fora, mas o trigo permanecerá, e permanecendo produzirá frutos para a vida eterna.
Que Deus nos ajude!
(Luís Guilherme Santos da Rocha)