Caríssimos irmãos e irmãs: “O semeador saiu para semear” (Mt 13, 3). É com este versículo do Evangelho deste domingo que iniciamos a décima quinta semana do Tempo Comum. Portanto, hoje, por meio da liturgia dominical, nós somos convidados a compreender que o Senhor, aquele que é o Semeador, saiu para semear em nossos corações a sua Palavra, isto é, as sementes do seu Reino.
Na primeira leitura (Is 55, 10-11) a profecia nos é muito clara. O profeta se dirige ao povo dizendo: “Assim como a chuva e a neve descem do céu e para lá não voltam mais, mas vêm irrigar e fecundar a terra, e fazê-la germinar e dar semente, para o plantio e para a alimentação, assim a palavra que sair de minha boca: não voltará para mim vazia; antes, realizará tudo que for de minha vontade e produzirá os efeitos que pretendi, ao enviá-la”. Aqui se encontra tanto a promessa, quanto a afirmação do profeta Isaías, que foi a boca de Deus para o seu povo, e hoje se faz a mesma para nós.
Em outras palavras, assim como Deus faz chover e cair a neve na terra a fim de produzir os seus devidos frutos e para fazer com que a semente germine; assim também a Palavra não sairá da boca de Deus sem antes produzir o seu efeito “fecundante”. Por isso, o efeito de Deus lançado sobre nós é único: que o nosso coração se volte totalmente para Ele.
Caros irmãos e irmãs, é do desejo de Deus que o terreno do nosso coração esteja preparado para receber a sua semente. Essa semente que tem o poder de nos abrir para a perspectiva de Deus, pois o evangelista Mateus descreve e faz questão de frisar que “o Semeador saiu para semear.” (Mt 13, 3).
Na perspectiva da semeadura em Mt 13, nos deparamos com o emprego de dois verbos importantes: “saiu” e “semear”. A primeira atitude do Semeador foi “sair”. Ele sai da sua condição atual e estatística com o intuito de “semear”, ou seja, de lançar na terra dos terrenos as sementes que são propriamente do Reino de Deus. Portanto, aqui vemos a intenção do Semeador.
O Semeador não saiu de sua condição apenas para fazer de conta ou ainda para realizar uma ação qualquer, mas antes Ele sai com uma intenção, com o objetivo de lançar as sementes em um terreno capaz de fazer germinar e dar bons frutos. Por essa razão, no Evangelho de Mateus, três são os terrenos que depois nos versículos seguintes são exemplificados e explicados, porém, é no versículo 23, isto é, no último versículo, está escrito: “A semente que caiu em boa terra é aquele que ouve a palavra e a compreende. Esse produz fruto, um dá cem, outro setenta, outro trinta”.
Queridos irmãos e irmãs, diante da afirmação do último versículo do Evangelho deste domingo (Mt 13, 1-23), poderíamos perguntar: Por que é preciso que a semente caia em uma boa terra para produzir frutos como cem, setenta, trinta?
Deus sabe de qual barro nós fomos formados, Ele sabe que somos povo de cabeça dura, que temos as nossas dificuldades para compreender, para acreditar e perseverar na sua vontade. Por isso, ao longo dessa semana Ele quer lançar a sua Palavra em nosso coração, e Ele sabe que para lançar essa Palavra é preciso que a terra do terreno do nosso coração esteja bem preparada para acolher a sua semente, a fim de que o semear do Senhor não seja em vão.
Meus irmãos e minhas irmãs, não sei qual é a realidade da sua vida, não sei como está o terreno e a terra do seu coração, mas hoje o Semeador quer que o nosso coração esteja preparado para receber a sua Palavra, que é viva e eficaz (Hb 4, 12); a mesma que cura, que liberta, que restaura as nossas forças e que nos permite ainda descobrir e redescobrir, o quão necessário for, o sentido da nossa vida.
Quando estamos abertos à realidade do Reino de Deus, estamos abertos àquilo que Deus deseja para nós. Que possamos desejar o desejo do Semeador, que por meio da liturgia deste domingo, lança a sua Palavra em nós para que vivamos na dinâmica do Reino. Este que, segundo Edward Schillebeeckx, não pode ser definido e classificado, porque se Jesus definisse o Reino de Deus, este Reino jamais poderia ser vivenciado e experienciado no cotidiano da nossa vida. Portanto, caríssimos irmãos e irmãs, que Deus nos permita que a terra do nosso coração esteja realmente preparada para acolher a sua Palavra, e que esta não volte para Ele sem antes produzir os seus efeitos de salvação.
Que Deus nos ajude!
(Luís Guilherme Santos da Rocha)
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