Estimados irmãos e irmãs, providencialmente na Oração da Coleta da Missa deste domingo rezamos a Deus, fonte de todo o bem: “(…) fazei-nos, por vossa inspiração, pensar o que é certo e realizá-lo com vossa ajuda”. Por meio dessa oração a liturgia nos permite pedir a Deus a inspiração de pensar e ao mesmo realizar aquilo é correto, e somente Deus é capaz de nos ajudar nesse bom propósito!
A imagem de Deus que a liturgia deste domingo nos apresenta é de um Deus bom, certo e misericordioso. A primeira prova dessa imagem encontramos na primeira leitura (Os 6, 3-6). No contexto em que o profeta Oseias profetizou, o povo buscava a Deus com palavras e ritos vazios, e os seus sacrifícios eram quase que mecânicos. Pouco se procurava a Deus de coração e com determinada fé. Por isso, o profeta Oseias admoesta o povo ao dizer que a vinda do Senhor estava tão certa como a aurora e como as primeiras e tardias chuvas que caem sobre o solo (v. 3).
Ao contrário de tudo o que era vazio e sem sentido, a vinda do Senhor asseguraria aquilo que era mais “sagrado”, ou seja, o amor, a misericórdia e o conhecimento profundo Dele. Foi exatamente por esses motivos que o profeta afirmou: “quero amor, e não sacrifícios, conhecimento de Deus, mais do que holocaustos” (Os 6, 6).
Hoje somos convidados a olhar para a nossa realidade de vida e para a nossa prática da fé, a fim de que nos questionemos a respeito do modo em que nos colocamos na presença de Deus; se confiamos ou não no seu amor por nós; com quais palavras ousamos conversar com Ele, e acima de tudo, somos instigados a fazer um bom exame de consciência para averiguarmos como anda o nosso conhecimento sobre Deus.
Santo Agostinho certa vez disse: “Ninguém ama o que não conhece!”. Sem sombre de dúvidas, essa verdade é dura de ouvir porque ela é tão real e ao mesmo tempo necessária de ser ouvida. O amor é algo sério e exigente. Se dizemos que amamos a Deus é porque por primeiro temos a experiência com o Seu amor. O próprio evangelista João em sua carta nos diz: “E o amor é isto: não fomos nós que amamos a Deus, mas foi ele que nos amou” (1Jo 4, 10). Portanto, o nosso amor por Deus deve ser um amor de correspondência e de conhecimento.
No evangelho (Mt 9, 9-13) nos deparamos com o gesto de amor de Deus por Mateus. Conforme a narrativa, Jesus ao passar pela região de Cafarnaum avistou Mateus sentado na coletoria de impostos e ao vê-lo, exclamou: “Segue-me” (v. 9). Imaginemos o olhar de Jesus para Mateus. Este certamente era alguém odiado pelos judeus por causa de sua profissão como cobrador de impostos. Mas, alguém foi capaz de olhar para ele de maneira muito diferente e nova.
Caros irmãos e irmãs, o olhar do Cristo para Mateus foi tão impactante e cativante a ponto daquele homem levantar-se de sua condição de pobreza interior para seguir o Messias. A atitude do cobrador de impostos em seguir a Jesus representa o seu desejo de mudar o rumo de sua vida; sair da ganância e do poder que aprisiona, para conhecer de perto aquele Messias libertador e tão esperado.
Certamente, no primeiro momento Mateus ao se sentir cativado pelo Mestre Jesus tomou a decisão de segui-Lo com um sentimento de descoberta e até de especulação. Pois ele queria ver e conhecer quem era Aquele que olhou de verdade em seus olhos e sem nenhum receio lhe chamou para segui-Lo.
Jesus como aquele que faz sempre o que é certo foi a casa de Mateus, porque é em torno da mesa que se conhece alguém. E nesse caminho de conhecimento os fariseus, por não conhecerem o Cristo e tampouco saber o que é certo, questionaram os discípulos sobre o motivo do Mestre comer com os cobradores de impostos e pecadores. A resposta do Jesus é enfática, mas melhor ainda é lição que Ele os ensinou quando disse: “Quero misericórdia e não sacrifício’. De fato, eu não vim para chamar os justos, mas os pecadores” (Mt 9, 13).
Meus irmãos e minhas irmãs, Jesus fez o certo na vida de Mateus, a prova de que Ele fez o certo se encontra naquilo que Mateus posteriormente se tornou: um evangelista! Deus sempre vem até nós com a sua misericórdia. É por isso que hoje Jesus assim como olhou e chamou Mateus, chama a cada um de nós para seguirmos a Ele, a fim de que como filhos e filhas da Promessa e justificados por Deus em Jesus Cristo (segunda leitura de Rm 4, 18-22), cheguemos a pensar naquilo que é certo e a fazer também o que é correto. Isto é, amar quem precisa ser amado, cuidar de quem precisa ser cuidado, e lembrar de quem foi esquecido; porque é exatemente isso que Jesus faz com aqueles que Ele ama!
Que Deus nos ajude nesse bom propósito!
(Luís Guilherme Santos da Rocha)
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