sábado, 27 de junho de 2026

Solenidade de São Pedro e São Paulo

          Caríssimos irmãos e irmãs, celebramos neste domingo a Solenidade de São Pedro e São Paulo, apóstolos do Senhor e considerados as “colunas” da Igreja Católica. Fazer memória de um apóstolo é pedir o que rezamos na oração da Coleta da Missa do Dia desta Solenidade, isto é, viver de acordo com os ensinamentos daqueles que nos deram os fundamentos da fé, a mesma que recebemos da Igreja no dia do batismo. Portanto, neste dia ao fazermos memória desses dois apóstolos celebramos as maravilhas que o Senhor realizou na vida deles, a ponto de serem para nós exemplo de vida e de fé.


No evangelho deste domingo (Mt 16, 13-19) Jesus após um longo dia de missão, estando com os seus discípulos e como Mestre que era, resolveu questioná-los para ver se tudo aquilo que Ele ensinava e operava diante deles era suficiente para que eles O conhecessem realmente. Como nos narra o evangelista Mateus, Jesus não vai direto ao ponto com a sua pergunta, pois primeiro questiona os seus discípulos sobre o parecer dos homens sobre a sua identidade (v. 13). A resposta dos discípulos foram: “Alguns dizem que é João Batista; outros que é Elias; outros ainda, que é Jeremias ou algum dos profetas” (v. 14).


Caros irmãos e irmãs, diante da primeira pergunta de Jesus poderíamos nos perguntar: – Era necessário que Ele soubesse quem os homens pensavam que Ele realmente era?


Esses homens de quem fala o Mestre Jesus eram aqueles que não estavam em seu convívio diário, aqueles que jamais poderia conhecê-Lo de fato. Nessa passagem do Evangelho, o verbo grego utilizado por Jesus é o εἶναι (einai), cujo significado é “ser”. O uso desse verbo comprova que a intenção de Jesus era saber se os homens seriam capazes de conhecer a sua identidade ontológica, ou seja, o seu próprio ser. Em outras palavras, com o seu primeiro questionamento o Senhor desejou colocar os seus discípulos à prova, a fim de que eles falassem quem Ele era popularmente.


Jesus não se contentou com algumas das respostas que os discípulos lhes deram, por isso de maneira mais enfática e categórica os questionou pessoalmente: “E vós, quem dizeis que eu sou?” (Mt 16, 15). Para essa pergunta o Senhor utilizou o mesmo verbo, o εἶναι “sou”. Porém, por se tratar de identidade, a nossa atenção nesse momento deve se voltar para o pronome pessoal ὑμεῖς (himeis), cuja tradução é “vós”, e para a partícula adversativa grega δὲ (de) que significa “mas”; que na tradução bíblica-litúrgica foi posicionada na conjunção “e”.


Meus irmãos e minhas irmãs, essas definições sintáticas supracitadas nos auxiliam a compreender o sentido do questionamento de Jesus por meio das suas perguntas. O emprego de ὑμεῖς δὲ (himeis de) “mas vós”, nos evidencia que o seu foco não estava no parecer dos homens, e sim na resposta daqueles que estavam com Ele todos os dias e em todos os momentos. Estes sim eram capazes de conhecê-Lo de verdade, mas não ainda um conhecimento ontológico, porque afinal, conhecer estritamente o ser de Jesus é quase impossível, mas por fé na sua Revelação pode-se tocar na sua Pessoa divina.


O Senhor mais do que revelar a sua identidade, possuía a intenção de fazê-los crescer na intimidade com Ele. A resposta de Pedro manifesta a sua intimidade com Deus, pois ele diz: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo”; e Jesus lhe responde: “Feliz és tu, Simão, filho de Jonas, porque não foi um ser humano que te revelou isso, mas o meu Pai que está no céu” (Mt 16, 16-17). Sem sombra de dúvidas, é pela intimidade que se chega à identidade, e esta permite crer de verdade. Pedro não respondeu a Jesus da “boca para fora”, mas com o auxílio de Deus e com o coração de quem crê, por isso que a nossa fé católica se fundamenta exclusivamente na sua resposta.


Irmãos e irmãs, como Jesus se dirigiu aos seus discípulos naquele dia, hoje Ele se dirige a nós e nos indaga: “E vós, quem dizeis que eu sou?” (Mt 16, 15). Diante desta provocativa, qual seria a nossa resposta? Será que teríamos a mesma certeza e convicção de Pedro em dizer que Jesus é o Messias, o Filho de Deus?


Pode parecer fácil afirmar que Jesus é o Messias, porque nos parece ser apenas da “boca para fora”. Todavia, para Pedro assim como para Paulo, a resposta lhes implicara uma vida entregue, a ponto de fim dela se entregarem ao martírio por amor ao Senhor. Talvez, hoje o Senhor não nos pede um martírio como o deles, aquele do derramamento de sangue. Mas, nos pede um melhor testemunho de vida, nos pede uma fé mais madura e consciente como a dos seus apóstolos, cuja Solenidade nós celebramos neste domingo.


Queridos irmãos e irmãs, hoje a Igreja se reveste da cor vermelha, cor que representa o amor que se faz entrega e comunhão. O Senhor conhece as nossas batalhas, as nossas dificuldades e problemas, e por isso nos pede fidelidade e testemunho. Se pararmos para pensar e refletir, o martírio de Pedro foi apenas consequência da fé dele; como nos é narrado na primeira leitura (At 12, 1-11) em que Pedro professa: “Agora sei, de fato, que o Senhor enviou o seu anjo para me libertar do poder de Herodes e de tudo o que o povo judeu esperava!” (v. 11). O Senhor nos envia apóstolos (pessoas) para nos ajudar na caminhada de fé e que nos permite compreender que não estamos sozinhos, jamais!


Por fim, imaginemos a grandiosidade da fé do apóstolo Paulo manifestada na segunda leitura (2 Tm 4,6-8.17-18) que o fez dizer no momento derradeiro de sua vida estas fortes palavras: “Combati o bom combate, completei a corrida, guardei a fé. Agora está reservada para mim a coroa da justiça, que o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia” (vv. 7-8). Sem sombra de dúvidas, essas palavras atestam o seu amor por Jesus Cristo e pelo anúncio do santo Evangelho. Delas aprendemos que o nosso apostolado no mundo, em casa, no trabalho, na escola, na igreja e no lazer, também deve ser por fé e amor. E assim dizermos juntos e em comunhão de fé o que rezaremos na oração Depois da Comunhão na Missa do Dia da Solenidade de hoje: “Refeitos por este sacramento, concedei-nos, Senhor, viver de tal modo na vossa Igreja que, perseverando na fração do pão e no ensinamento dos Apóstolos, enraizados no vosso amor, sejamos um só coração e uma só alma”.

 

Que Deus nos ajude!

 

(Luís Guilherme Santos da Rocha)


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