Queridos irmãos e irmãs, hoje nós celebramos o 12º Domingo do Tempo Comum. Se no domingo anterior escutávamos no evangelho o chamado dos discípulos, porque Jesus viu que aquelas pessoas estavam como ovelhas sem pastores, na liturgia de hoje o Senhor convoca os seus discípulos a possuírem coragem diante dos desafios e das perseguições, e ao mesmo tempo lhes oferece a sua consolação, pois Ele não se torna distante daqueles que Ele o chama para servir na sua messe eterna.
Caros irmãos e irmãs, o encorajamento e a consolação de Deus na liturgia deste Domingo Comum nos convida a refletirmos a respeito do cuidado de Deus para com aqueles que ao serem chamados se empenham na missão, no anúncio e no testemunho do evangelho. Pois aqueles que se dedicam de coração, de corpo e alma enfrentarão dificuldades, provações, perseguições. Jesus no evangelho (Mt 10, 26-33) após lhes afirmar tudo isso, Ele diz: “Não tenhais medo dos homens, pois nada há de encoberto que não seja revelado, e nada há de escondido que não seja conhecido” (v. 26).
Ao dizer as palavras acima, o Senhor automaticamente atribui o valor a quem Ele o chama, pois deixa claro que aquele que Ele mesmo o chama vale mais do que os pardais (v. 31). No tempo de Jesus, os pardais eram considerados aves sem valor, quase nunca eram vendidas. Eles eram objetos de troca e em alguns momentos eles eram dados até como um brinde, porque eram animais que não tinham valor algum, sem devida importância, e de fato simbolizavam a simplicidade e a pobreza. No evangelho, quando Jesus realiza essas duas afirmações: “Não tenhais medo! Vós valeis mais do que muitos pardais” e “Nenhum deles cai no chão sem o consentimento do vosso Pai” (Mt 10, 31 e 29), Ele demonstra que Deus está acima de tudo; Ele está no controle de todas as coisas.
Na primeira leitura (Jr 20, 10-13), vemos o relato do sentimento angustiante do profeta Jeremias que no seu profetismo temia a perseguição e a morte. Na literatura profética, nós dizemos que todo profeta sabe que vai morrer, porque o profeta sabe que profetizar é um ato de coragem, e ao mesmo tempo, sabe que está sujeito ao risco de ser perseguido e morto por aqueles que não aceitam a profecia. Por isso, todo profeta tem que ter a consciência de que aquilo que ele vai dizer, que ele vai anunciar ou denunciar, uma vez que o profeta, além de anunciar, também denuncia, não é em seu nome próprio, mas é um chamado que lhe faz sair de si e encontrar sentido pelo qual ele foi chamado. Portanto, se todo profeta sabe que vai ser morto é porque antes nasceu para viver em nome de Deus. A prova disto se encontra na passagem de Jr 1, 5, que diz: “Antes mesmo de te formar no ventre materno, eu te conheci; antes que saísses do seio, eu te consagrei. Eu te constituí profeta para as nações”.
Meus irmãos e minhas irmãs, ao olharmos para esse cenário do evangelho, para a primeira leitura, ao meditarmos sobre o chamado que Deus faz na nossa vida, mas ao mesmo tempo as recomendações de que para viver esse chamado não é fácil, o Senhor deixa muito claro para nós: se somos chamados, é porque fomos escolhidos e por isso não há como fugir do chamado. Não tem como se esquivar do chamado de Deus e para aquilo que Ele nos chamou a anunciar, profetizar em seu nome.
Na segunda leitura (Rm 5, 12-15), o apóstolo Paulo deixa muito claro que o pecado entrou no mundo por um só homem e através do pecado a morte entrou no mundo. Mas, a graça de Deus foi concedida através de um só homem, Jesus Cristo (vv. 12; 15). Nisto consiste a certeza de que em Jesus Cristo nós alcançamos a graça de Deus e a sua reconciliação, a qual fora dita na segunda leitura do Domingo passado. Por essas razões, todo aquele que é chamado a ser profeta, a colaborar com a messe, com o Reino de Deus, é chamado a obedecer e ao mesmo tempo a reconciliar as pessoas com Deus. E não tem preço no mundo que pague essa grandiosidade de reconciliação!
Que sejamos homens e mulheres profetas, anunciadores de Deus e do seu Reino. E quiçá, na nossa vida cotidiana, vivendo constantemente na presença de Deus e dos irmãos e irmãs, sejamos também homens e mulheres reconciliadores e promotores de paz e de concórdia.
Que Deus nos ajude!
(Luís Guilherme Santos da Rocha)
Nenhum comentário:
Postar um comentário