“Este é o dia que o Senhor fez para nós: alegremo-nos e Nele exultemos” (Sl 117).
Caríssimos irmãos e irmãs, nós católicos nascemos para este bendito dia! Porque hoje é a Páscoa do Senhor, isto é, a passagem de Cristo em nossa vida. Não uma passagem curta e momentânea, mas eterna e fiel, porque Ele está entre nós!
Na liturgia deste domingo nós celebramos a Luz de Jesus Cristo. Os mistérios pré figurativos e provocativos que celebrávamos ao longo de todo o período quaresmal se fundamentam e encontram sentido pleno na solenidade de hoje. Por isso, de uma vez por todas com a Ressurreição, o Senhor quer vencer em nós todos os tipos de poderes que buscamos; Ele se revela totalmente transfigurado a nós; Ele sacia a nossa sede; ilumina a nossa escuridão; nos tira da cegueira e nos chama para fora como fizera a seu amigo Lázaro.
Queridos irmãos e irmãs, a liturgia da Palavra para nós é providencial. Por meio dela meditamos os feitos do Senhor, para que a graça de Deus seja confirmada em nós; certos de que não existe vida sem fé e tampouco fé sem vida. E hoje a fé nos conduz a crer que a vida venceu a morte.
Na primeira leitura (At 10, 34a.37-43) ouvimos a palavra de Pedro, o qual tomando a palavra levou ao conhecimento todos aqueles que ainda não conheciam o Cristo, pois sabia do mandato deixado pelo Senhor. Na segunda leitura (Cl 3, 1-4), São Paulo exorta a todos da comunidade dos Colossenses a esforçarem não por aquilo que é deste mundo é passageiro, e sim por aquilo que está no mais alto, que por sinal é eterno e divino. Por fim, o evangelho (Jo 20, 1-9) coroa todo o acontecimento de hoje: a Ressurreição.
O evangelho escutamos é repleto de sinais que confirmam em nós o excelso mistério que celebramos. O evangelista João nos narra que era o primeiro dia da semana, ou seja, era domingo, o dia do Senhor, por isso é nosso dia e nascemos para ele. Mais adiante encontramos a presença de Maria Madalena, a testemunha ocular da Ressurreição que chegando ao túmulo em que o Senhor havia sido sepultado, se depara com a cena do túmulo vazio e aberto. Este sinal sensível é fundamental, uma vez que o evangelista descreve o momento exato em que Maria de Magdala vai ao encontro não do túmulo sem sentido, porém, do seu Senhor, porque havia uma promessa em que Ele ressuscitaria no terceiro dia.
Meus irmãos e minhas irmãs, o momento em que Maria Madalena se dirigiu ao túmulo foi na madrugada para o amanhecer simbolizando que é depois da escuridão que Jesus Cristo se revela como Senhor Ressuscitado. Todavia, um outro destelhe nos chama a atenção. Para certificar a Ressureição de Jesus era preciso chamar a comunidade dos discípulos, simbolizada na Igreja, a qual na pessoa do apóstolo Pedro confirma a fé: Jesus verdadeiramente ressuscitou!
No evangelho joanino para toda confirmação exige um sinal que revela e comprove a autenticidade da mensagem, porque os sinais não se esgotam, pelo contrário, todos unidos revelam o verdadeiro sentido do evangelho ser para nós. Assim sendo, nós versículo de 6 a 8 deste evangelho, Pedro confirma a fé mediante ao “pano enrolado em um lugar à parte” (v. 7). Na cultura judaica todas as vezes que o senhor (chefe da casa) estando em uma refeição deixava o pano enrolado sobre a mesa era sinal claro de que Ele que voltaria a comer daquela comida novamente. Por isso, o pano enrolado sobre a mesa confirma a Pedro e ao discípulo mais novo que o Senhor prometera que votaria e realmente voltou, ou melhor, ressuscitou conforme Ele mesmo disse.
Caros irmãos e irmãs, todos esses sinais devem confirmados em nós no dia de hoje e durante todo este Tempo da Páscoa que hoje se inaugura, até a Solenidade de Pentecostes. Portanto, que façamos a experiência com o Ressuscitado e sejamos anunciadores e testemunhas da sua Ressurreição a tantas e tantas pessoas que ainda se encontram em estado de morte, de pecado e falta de fé. É missão nossa seguir o mesmo mandato dos apóstolos deixado pelo Cristo na noite de ontem: Ide anunciar aos meus irmãos que se dirijam para a Galiléia. Lá eles me verão” (Mt 28, 10). Porque para nós “este é o nosso dia” (Sl…), dia que o Senhor fez para mim, para você e para todos nós.
Que Deus confirme a nossa fé na Ressureição de seu amado Filho Jesus!
(Luís Guilherme Santos da Rocha)
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