sábado, 4 de abril de 2026

Vigília Pascal - Ano A

 “Alegrai-vos” (Mt 28, 9).

 

Caríssimos irmãos e irmãs, neste Sábado Santo a Igreja celebra solenemente, mediante a “mãe de todas as vigílias”, a Páscoa do Senhor. A Vigília de hoje é o coroamento de todo o Tríduo Pascal, visto que por meio dela se faz memória da história da salvação com as oito leituras acompanhadas pelos salmos e orações, e o santo Evangelho. Mas, além disto, nós somos chamados a meditar aquilo que o Senhor já ressuscitado profere às mulheres no caminho para a casa: “Alegrai-vos” (Mt 28, 9).

 

Sem sombra de dúvidas, não existe outro dia que seja como este. Para nós católicos, se a vida tem a sua devida importância foi porque hoje o Senhor ressurge da mansão dos pecadores, quebra os grilhões da escravidão e nos chama para Ele, pois a vida eterna nos provém Dele.

 

Contextualizando muito brevemente todas as leituras com o objetivo de traçar a história da salvação, observamos que a primeira (Gn 1, 1-2, 2) apresenta o tema da criação do mundo justamente porque em Jesus Cristo ressuscitado se realiza a nova criação. E se na antiga criação o homem fora criado, na nova ele é redimido pelo Cristo. A segunda leitura (22, 1-18) se menciona o tema do sacrifício, como o sacrifício de Isaac; tendo Cristo como aquele Filho oferecido pelo Pai na obediência filial. A terceira leitura (Ex 14, 15-15, 1) aborda a travessia do povo pelo mar vermelho, cuja nova travessia se encontra na Ressurreição do Senhor. Na quarta leitura (Is 54, 5-14) o profeta Isaías busca animar aqueles que estão oprimidos, confiantes que em Cristo a promessa se cumpre. Nas três últimas leituras (Is 55, 1-11; Br 3, 9-15.32-4, 4; Ez 36, 16-17a.18-28) o profeta Isaías se dirige ao povo para que volte ao Senhor; Baruc ressalta o tema da sabedoria de Deus; e por fim, o profeta Daniel estabelece um paralelo com a realidade da água pura que é derramada sobre os exilados a fim de transformar o coração de pedra em coração de carne.

 

Na Epístola de São Paulo aos Romanos (6, 3-11) se encontra a máxima do batismo na morte de Cristo, uma vez que por meio da Vigília todos os fiéis são chamados a renovarem as promessas batismais professando que Ele morreu e foi ressuscitado por Deus; por isso todos que morrem para o pecado estão vivos para Deus, em Cristo Jesus (v. 11). Finalmente, no evangelho (Mt 28, 1-10) a narrativa manifesta o anúncio pascal, pois a ida das mulheres ao túmulo de Jesus e a proclamação de que Ele não se encontra morto são sinais de vitória sobre o pecado e a morte. E é por isso que diante deste aceno, as mulheres e os discípulos são motivados a anunciarem a vida nova em Jesus Cristo, missão que por nós é continuada nos dias atuais.

 

Meus irmãos e minhas irmãs, se voltarmos ao texto bíblico-litúrgico do Evangelho observaremos que a iniciativa é do Ressuscitado em ir de repente ao encontro das mulheres que eufóricas voltam para a casa, a fim de noticiar aos seus irmãos e irmãs que o Senhor tornou a viver. A euforia delas se transforma em alegria real através do “alegrai-vos” (Mt 28, 9). E aqui está o ponto alto desta solene liturgia, pois a mudança da euforia para a alegria na vida daquelas mulheres fez com elas não tivessem dúvidas que o Senhor estava vivo para sempre.

 

 Caríssimos, o desejo de Jesus a nós é que sejamos alegres. A partir de hoje não existe tristeza, pois a vida venceu a morte, a graça superou o pecado. E mesmo que ainda sofremos com algo nesta vida, Ele espera que mesmo assim nos alegremos Nele, mas que essa alegria não seja como aquelas passageiras e momentâneas que buscamos neste mundo. A alegria do Ressuscitado é verdadeira e gratuita, é por isso que Ele não nos cobra nada, mas apenas nos faz experienciar dela como prova do seu amor total!

 

Deus espera que a nossa alegria seja completa (Jo 15, 11). É para que ela seja é necessário o bom testemunho dela. Mas, em que consiste o bem testemunhar?

 

Ao coroarmos hoje toda a Paixão, Morte e Ressurreição do Filho de Deus, somos interpelados a fazer com outros que ainda não viram a verem o Ressuscitado, àqueles que não experimentaram a fazer a experiência da sua alegria, porque Ele hoje nos encontra pelo caminho de nossa vida e diz a cada um nós, como disse às mulheres: “Não tenhais medo. Ide anunciar aos meus irmãos que se dirijam para a Galiléia. Lá eles me verão” (Mt 28, 10).

 

Provocando-lhes:  – Onde é a Galiléia que você e eu precisamos anunciar?

 

Queridos irmãos e irmãs, o mundo, a nossa casa, o trabalho e as pessoas são a nossa Galiléia. Para nós hoje a Galiléia não é um espaço físico e temporal, mas ideal de missão, pois a alegria que recebemos do Senhor em sua essência é cativante e transbordante. Infelizmente, muitos ainda estão afastados da Luz e da alegria verdadeira. Basta que olhemos para o cenário mundial que transborda de disputas políticas, guerras, fome que não somente outros passam, mas também nós assim passamos. Ou talvez, a alegria precisa chegar até a sua casa e aqueles que você mais ama. Ninguém vive a alegria só e tampouco ela pode ser contida, pois somos parte de um todo, e é para este “todo” que Jesus veio ao mundo, morreu e ressuscitou.

 

É missão nossa, que passamos pelo Tríduo Pascal com Jesus, seguir o seu mandato em anunciar, para que todos venham a crer Nele, visto que na medida em que anunciamos vamos crendo com maior eficácia no plano de amor de Deus. E foi justamente preciso que Deus fizesse promessa e aliança com o seu povo até chegar na nova e eterna aliança, que é Cristo. Fora Dele não há salvação, e se Ele ressuscitou foi para que a fé e a pregação não fossem em vão (1Cor 15, 14) Por isso, Sendo Cristo a imagem viva e verdadeira da humanidade, para O qual tudo se converge, haverá um tempo em que tudo e todos viverão por Ele, com Ele e Nele na glória do céu (1Cor 15, 28). Isto é motivo de fé e alegria!

 

Que a Ressureição do Senhor nos torna alegres e anunciadores!

 

(Luís Guilherme Santos da Rocha)


Nenhum comentário:

Postar um comentário

4º Domingo da Páscoa – Ano A

“ Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância” (Jo 10, 10).   Caríssimos irmãos e irmãs, celebramos hoje o 4º Domingo da Páscoa, ...