domingo, 10 de maio de 2026

6º Domingo da Páscoa - Ano A

“E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará um outro Defensor” (Jo 14, 16).

 

Queridos irmãos e irmãs, se no domingo anterior a liturgia da Palavra nos apontava para a Solenidade da Ascensão do Senhor que celebraremos no próximo domingo, hoje ela nos prepara para a grande Solenidade de Pentecostes, isto é, a vinda do Espírito Santo de Deus, o Defensor, como lemos no evangelho deste domingo.

 

Como ação de Deus na nossa história, a liturgia em sua pedagogia própria tem por objetivo preparar o nosso coração para rezar, crer e viver os mistérios divinos em uma realidade presente e futura. E é justamente por essa razão que hoje ela nos insere no mistério do Espírito, mesmo que ainda aguardamos para celebrar solenemente a sua manifestação pública daqui a duas semanas.

 

Caros irmãos e irmãs, não é em vão que temos vivido o mistério Pascal ao longo de cinco semanas perscrutando a novidade da permanência do Cristo no meio de nós. A sua presença nos consola, acalenta, anima e nos faz suportarmos as adversidades da nossa vida na posição própria do Ressuscitado, ou seja, em pé. E não há dúvida de que o Filho de Deus, mesmo depois de ter sido Ressuscitado desejou permanecer conosco para mostrar que a Promessa de Deus sempre se fez dom. Por isso, pela primeira vez, na liturgia pascal, o Ressuscitado cede lugar ao seu dom: o Espírito de Deus. Aquele que foi dado sem medida a nós no dia do batismo, como contempla a primeira leitura (At 8, 16).

 

No evangelho deste domingo (Jo 14, 15-21) Jesus se dirige exclusivamente aos seus discípulos, aqueles que Ele amava muito; e para lhes assegurar o seu amor, Ele utiliza de uma condição: “Se me amais, guardareis os meus mandamentos” (v. 15). Em outras palavras, Jesus lhes disse que a maior prova de amor que os seus discípulos poderiam dar é, sem sombra de dúvidas, a vivência dos mandamentos. Mas, quais mandamentos?

 

Os mesmos que foram dados por Deus a Moisés no Sinai, e que Jesus no evangelho de João sintetizou em pouquíssimas palavras: “Amai-vos uns aos outros, como eu vos amei” (Jo 13, 34). Porque é simplesmente na dinâmica do amar um ao outro que os discípulos seriam reconhecidos como os discípulos do Senhor (Jo 13, 35). E hoje essa realidade nos provoca, uma vez que somos fracos para amar como exige a nossa fé!

 

Indo adiante, observaremos que o desfecho da condição colocada pelo Cristo no evangelho de hoje não termina com o “guardar” os mandamentos, porém, se estende à promessa por detrás deles: “E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará um outro Defensor, para que permaneça sempre convosco” (Jo 14, 16). Portanto, meus irmãos e minhas irmãs, a promessa de Deus para nós, por meio desta liturgia, é o próprio Defensor, e não existe outro!

 

Diante dessa afirmação somos conduzidos ao questionamento:

 

– O Paráclito enviado por Deus nos defenderá de quem ou do quê?

 

Certamente, o Espírito Santo nos defenderá do mundo e do espírito deste mundo.

 

– E por que Ele nos defenderá?

 

O primeiro motivo se crê que o Espírito de Deus nos defenderá, porque é da vontade do Cristo em permanecer conosco por intermédio de seu Espírito, mesmo que Ele suba ao Pai na glória. O Verbo de Deus não nos veio para um “faz de conta”, ao contrário, veio para fazer morada em nós; por isso cremos que Deus Trindade habita absolutamente em nós. E se Deus fez morada, jamais deixará de se fazer presente.

 

 O segundo se comprova pela defesa contra as adversidades e difamações, salientadas na segunda leitura (1Pd 3, 16), com as quais muitas vezes sofremos. Porém, diante de toda difamação e adversidade não devemos temer e desesperar, pois a defesa do Espírito nos vem quando fazemos a nossa parte e agimos corretamente pela mansidão, respeito e boa consciência (v. 16).

 

Que a liturgia deste 6º Domingo da Páscoa do Senhor nos prepare para as solenidades que se aproximam, a fim de que pelo sacramento pascal possamos viver constantemente na presença de Deus e clamar em nosso favor: Vem, Espírito Santo!

 

Que Deus nos ajude!

(Luís Guilherme Santos da Rocha)


3 comentários:

  1. Excelente reflexão, Gui. Que, nessa espera, a gente aprenda a escutar mais,
    a confiar mais e permitir que o Espírito nos encontre prontos, disponíveis. ✨️

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    1. Obrigado pelo comentário, Lu! Que o Espírito Santo nos torne pessoas melhores a cada dia, e que com o auxílio da graça sejamos anunciadores do bem, da paz e salvação neste mundo, como salienta o Papa Leão XIV em suas catequeses e homilias.

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