“Ninguém vai ao Pai senão por mim” (Jo 14, 6).
Caros irmãos e irmãs, estamos nos aproximando da Solenidade da Ascensão do Senhor. Por isso, a liturgia deste domingo nos insere e aí mesmo tempo nos aponta, desde já, o plano escatológico de Deus para nós, e nos prepara para a realidade que é a nossa meta: habitar na casa do Pai.
No início do evangelho (Jo 14, 1-12) deparamos com a cena exortativa e consoladora de Jesus aos seus discípulos através das palavras: “Não se perturbe o vosso coração. Tendes fé em Deus, tende fé em mim também. Na casa de meu Pai há muitas moradas” (vv. 1-2). O contexto dessa passagem é inovador e marcado por uma espécie de “contentamento descontente”, pois se voltarmos no capítulo anterior, em Jo 13, encontraremos os três momentos profundos e repletos de sinais neste capítulo. Por isso, no primeiro momento Jesus se reuniu pela última vez com os seus para a última ceia e o lava-pés. Posteriormente, Ele anunciou a traição de Judas, o que causou grande preocupação por parte dos discípulos; e, por fim, proferiu o seu discurso de despedida deixando-os o novo mandamento.
Diante disso podemos nos questionar:
– Qual era a consolação que Jesus poderia oferecer aos seus discípulos que passavam por momentos ora contentes ora descontentes?
Simbólico como é, a comunidade de João apresenta por meio de seu evangelho a novidade das moradas na casa do Pai. O coração do evangelho deste domingo se encontra exclusivamente na perspectiva das moradas. Se para os discípulos que viveram e escutaram essa novidade diretamente de Jesus foi difícil de compreender, imagina para nós que recebemos depois de dois mil anos esse mesmo evangelho. E foi justamente para consolá-los que o Cristo disse para que não perturbassem o coração, mas tivessem fé em Deus e Nele também, porque na casa do Pai existem muitas moradas (Jo 14, 1-12).
Hoje as mesmas palavras do Filho de Deus aos seus discípulos são dirigidas a nós. Jesus quer nos consolar: – De que modo?
Jesus nos oferece a fé, uma vez que não existe outro caminho de consolação, senão mediante a fé em Deus. De modo crucial, o Filho de Deus nos pede que tenhamos fé na sua Pessoa, porque Ele é “o Caminho, a Verdade e a Vida” (Jo 14, 6), que nos leva ao Pai. Diante disto, eu sugeriria que nós pudéssemos ler e guardar este trecho do evangelho do seguinte modo: Eu sou o Caminho: a Verdade e Vida!
Caríssimos irmãos e irmãs, Jesus é o Caminho, por isso Nele está a Verdade e a Vida. Isso requer de nós uma fé convicta, porque mesmo acreditando nas palavras do Cristo, nós muitas vezes buscamos outras verdades; lutamos sempre por nossas próprias verdades, ora assumimos uma postura de detentores dela, ora nos afastamos dela por causa do dualismo conceitual que existe em nós. Todavia, não existe verdade fora de Cristo, somente Ele nos revela o que é de fato verdadeiro. De igual modo, buscamos viver de muitas maneiras que até determinado momento podem nos satisfazer e nos acomodar, porém, fora da Pedra angular, sublinhada na segunda leitura (1Pd 2, 7), não existe vida em abundância. E aqui está o detalhe maior a respeito do Caminho.
Sem sombra de dúvidas, na liturgia de hoje o Cristo, nos consola oferecendo-se a nós como o único Caminho para que vivamos na verdade e encontremos a a vida. É Ele quem nos levará à nossa morada definitiva no céu. Nós poderemos até nos esquivar em pensar sobre a morte, porque essa realidade nos assusta, nos apavora e causa medo. Entretanto, para nós que temos fé, a vida vai além da morte em virtude daquele que venceu a morte e ressuscitou no terceiro dia. E se assim não fosse, jamais os apóstolos iriam se empregar pelo anúncio da Palavra e pela oração, como encontramos na primeira leitura (At 6, 4) deste domingo.
Queridos irmãos e irmãs, por intermédio da liturgia deste domingo, o Senhor nos direciona para o céu, e espera de nós uma resposta. Ele deseja que creiamos Nele, e enxerguemos na sua Pessoa a imagem do Pai que nos criou a fim de que sejamos salvos por meio de seu Filho Jesus Cristo. E este é o tempo santo que a Igreja nos dispõe para que celebremos a vida emanada da cruz de Cristo. Escolhemos, pois, a vida eterna, e cheguemos à ela através das nossas boas práticas e da fé no Filho de Deus.
Que Deus nos dê a graça da morada celeste!
(Luís Guilherme Santos da Rocha)
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